domingo, março 24, 2013

vejo-o fazendo café

                   arte: rafael godoy


trago a vida entalhada em contas papéis livros
lembro quando via sessão da tarde e a tarde não passava nunca
hoje as tardes passam e não vejo
a noite vem como o dia
a noite é a mesma
mesmo quando você vem e diz que me ama
então olho o homem que atravessa a rua
e está com flores na mão
o livro que li há dez anos
vai ser o mesmo se o ler hoje?
vejo-o fazendo café
e a minha angústia costurada em seu pijama
e a vontade desesperada de fugir


3 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

Talvez seja uma fase psicológica, a qual passa, como a sessão da tarde sempre passou.

Leonardo B. disse...


[o tempo

dos tempos comuns,
como uma pedra no bolso
um seixo na mão;
imperfeito como um sim um não.]

um imenso
imenso abraço, Adriana!

Lb

Assis Freitas disse...

este teu poema, ah me lembra, me relembra



beijo