sábado, novembro 26, 2011

a cidade é outra

arte/ rafael godoy

visto de cinza a cidade
as ruas têm prédios demais
e eles não se cansam de criar outros a cada dia
as britadeiras rodam na minha cabeça
 escondem as sirenes e buzinas
os gritos dos gatos o canto dos bêbados
as construções apagam a lua  espantam o vento
 silenciam os poetas
as montanhas são dilaceradas dinamite e cimento
a cidade que era minha
vai embora de mim
espalha pó nos cabelos embaça meus olhos
e deixa um gosto estranho na saliva
a cidade é outra
eu sou outra
mas ainda posso ver através da fumaça do cigarro
um sol pálido
que começa a nascer





31 comentários:

On The Rocks. disse...

Adri,

toda vez que eu entro aqui, saio melhor do que quando entrei. Fodástico.

Bom fim de semana.

Bj

On The Rocks. disse...

Tô ouvindo Bad as me, o novo do Tom Waits - o que casou perfeitamnete bem com o poema. Massa.

Outro beijo - rs

Marcos Satoru Kawanami disse...

Adriana,

Senti poesia numa prosopopéia que talvez tenha sido acidental:

"as ruas têm prédios demais
e eles não se cansam de criar outros a cada dia"

=)
Marcos

Hercília Fernandes disse...

Nossos olhos, e todos os sentidos, se vestem de cinza e a neblina encobre/engole a cidade que nos habita.
Oferecer lugar a uma outra, aquela que nossos olhos ainda teimam em não enxergar.

Um beijo, Godoy.
Mais um belo poema. Levo-o ao Face.

Assis Freitas disse...

é assim estrangeira a terra que habitamos, mas os astros ainda luzem no orbe



beijo

Hercília Fernandes disse...

Corrigindo: "Oferece lugar"...

Godoy, nem pedi licença... já levei o seu poema belorizontino a outros não-lugares.

Um beijo.

Adriana Godoy disse...

Buenas, gostei da trilha sonora, aliás, adorei. Valeu demais! Beijo

Adriana Godoy disse...

Marcos, foi realmente acidental a prosopopeia, talvez coubesse melhor a ambiguidade. Beijo

Adriana Godoy disse...

" mas os astros ainda luzem no orbe"

é isso, Assis, valeu a presença. beijo

Adriana Godoy disse...

Hf, sua voz sempre marcante. Bom que tenha gostado. Beijos

Suzana Martins disse...

Adriana, os seus versos são marcantes. Eles encantam a alma em sua maneira dócil e voraz.

Num pálido sol que nasce entre a fumaça do cigarro, avista-se gotas de saudade num nascer de sentimentos e vontades acumuladas...

Lindo e lindo!

Beijos

Adriana Godoy disse...

Suzana, lindo seu comentário. Valeu muito. Beijo

byTONHO disse...



Lembrei do desenho UP (Altas Aventuras)...

uma casa voando, levada por balões é a "salva...SÃ"!

:o)

MIRZE disse...

Se é sua, Godoy, A cidade tem que mudar mesmo.

Sua genialidade nunca é a mesma.

Lindo poema ou: Mais um!

Beijos

Mirze

Adriana Godoy disse...

Tonho, "também quero viajar nesse balão"... bom vc aqui. beijo

Adriana Godoy disse...

Mirze, seu comentário acalma. Seja Sempre bem-vinda aqui. Grata. Beijo

BAR DO BARDO disse...

Parabéns pela esperança que vive e persiste aqui, para além das tragédias e mais.

Beijo!

Mauro Lúcio de Paula disse...

Parabéns pela observação e sutileza quando diz no seu poema que "as construções apagam a lua e espantam o vento silenciam os poetas, mas a sua verve poética continua afiada e voraz, ainda não foi embora. Nem vai você é uma fênix. Parabéns!

Adriana Godoy disse...

Bardito, sempre há uma esperança.

Valeu! Beijo.

Adriana Godoy disse...

Nauro, sempre bem-vinda a sua presença. Obrigada pelas palvras tão estimulantes. Beijos

dade amorim disse...

As coisas mudam, se multiplicam, nós mesmos mudamos com elas.

Abraço, Adriana.

Adriana Godoy disse...

Dade, valeu a presença! Sim, as coisas mudam e tentamos mudar com elas. Bj

Luciano Fraga disse...

Querida poeta, não sei se tomo este poema como um forte retrato ou como um filme real. Saudade " dos galos , noites e quintais..." noites do interior, beijo.

Adriana Karnal disse...

Adri, xará,
o sol é outro, por isso nos enfumaçamos e viramos cinzas.

guru martins disse...

...dança a memória
da paisagem
dança a memória
da imagem
dança a imagem
da memória
dança a imagem
na memória...

bj

Adriana Godoy disse...

Luciano, o negócio fica difícil a cada dia mesmo. Bonito seu comentário. Beijo

Adriana Godoy disse...

Karnal, os tempos são outros mesmo, talvez eu seja nostálgica demais! Brigada. Beijo

Adriana Godoy disse...

~Guru, Por que nâo fazer disso uma canção? Beijo

Marcos Satoru Kawanami disse...

Adriana, desculpe aquele comentário zoeira. Eu tinha passado 3 noites sem dormir na rua bebendo sem parar misturando tudo; daí nem sei que esquisitice escrevi, mas lembro que tava na pilha. Perdão.

Felipe Marques disse...

Bela arte fogo e poema desassossego.

bjos e abraços!

Adriana Godoy disse...

Valeu, Felipe! Bom vc por aqui. Beijo