quinta-feira, dezembro 17, 2009

véspera

desenho de carcarah

de noite veio um bêbado
andando no meio da rua escura e chuvosa
trombou numa árvore enfeitada de luzes de natal
ficou olhando aquela coisa iluminada
sentado na calçada com a garrafa em suas mãos
pensou que tivesse em outro país
começou a cantar em inglês uma velha canção
viu neve onde havia chuva fina
um cão perdido de rua era sua rena
adormeceu sorrindo
e de manhã já era natal

(republicado)

27 comentários:

romério rômulo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
nina rizzi disse...

nossa, como fazer bons poemas natalícios? é tu que sabes, mulher. e ainda com gostinho de bukowski que não sabe soletrar nome de compositor clássico. demais.

um cheiro. e tou indo à praia, com a sua flor, como depraxe.

Heitor Cardoso disse...

Eu ia perguntar se você me espionou pra poder escrever. Mas daí eu lembrei que eu nunca pensei estar em outro país...

Abraços,
continue.

Heitor Cardoso disse...

E não é preciso falar do belo, né?

José Carlos Brandão disse...

A fé nos persegue: isto é um poema de fé.
Beijo.

Lara Amaral disse...

Nossa, devaneios guiados pelo álcool... mas quando se quer sonhar, quaisquer coisas os guiam.

Lindo mesmo!

Beijos.

Adolfo Payés disse...

Que hermoso poema. muy lindo.. post.
Es un placer visitarte y disfrutar tu espacio..

Te dejo mis mejores vibraciones y deseos de paz y amor para estas fiestas navideñas y de año nuevo 2010...

Un abrazo
Saludos fraternos..

Marcos Satoru Kawanami disse...

...e o bêbado era barbudo, usava roupa vermelha, dava presente pra galera, mas não era o Lula!


=D
Marcos beijó(K)awanami

Úrsula Avner disse...

Oi Adriana, bonito texto poético que aponta uma visão lírica do natal daqueles que são menos privilegiados socialmente. Terno e singelo ! Bj.

Lou Vilela disse...

Uma visão que salva e redime. ;)

Muito bom!

Beijos

bruno bandido disse...

porra, esse foi meu natal do ano passado. gostei. e o desenho é muito bom também. beijo.

Fred Matos disse...

Um texto natalino raro, porque consegue fugir do banal, do sentimentalismo e, também, da contestação inútil.
Parabéns, Adriana.
Gostei muito.
Ótima também a ilustração
Beijos

Luciano Fraga disse...

Minha querida poeta,são nossas bêbadas miragens poéticas,sublime! Uma maravilha de natal para você, beijo.

Danilo de Abreu Lima disse...

adriana,
há muito não vinha aqui...tava meio que sem tempo-= mas agora volto, para ler seus poemas-crônicas- tão dia-a-dia, tão idilicos como esse- esse bêbado,sonhando com luzes e estrelas de outros países- um natal que não exsite mais- lembreia-me dee música dos raimundos- Um infeliz natal- você dá uma pincelada lírica nessa dor-
não será aí o caminho da pasárgada?
abraços meus
danilo.

Wilson Torres Nanini disse...

Em minha cidade, contam a história de um bêbado que adormeceu debaixo de um poste público, numa chuva de besouros. Sonhou que estaba dormindo debaixo de uma jaboticabeira. Abraços!

Adriana Godoy disse...

É bom demais passar aqui e ler eses comentários. Devido à falta de tempo, não agardeço um a um, mas li cada um com especial atenção. Obrigada a todos de verdade.

Danilo, que bom seu retorno.

Adriana Godoy disse...

onde se lê ese, leia-se esse.
onde se lê agardeço, leia-se agradeço.

Hercília Fernandes disse...

Seu poema, Godoy, leva-me à reflexão de nossos sonhos e representações [natalinos?...].

Natal bom é aquele que a macro mídia nomeia como espírito natalino? Neve, árvore, presentes, renas, papai Noel & afins?...

Cadê a simbologia que envolve o nascimento de Jesus, a sua missão, em meio a todas essas coisas?...

Sim, por vezes penso que bom natal é o dos americanos... Boas são as festas que ilustran outros modos de vida e nos afasta da realidade...

Grande texto. Parabéns por seu pensar sensivelmente crítico, porquanto poético!

Beijos :)
H.F.

Hercília Fernandes disse...

Corrigindo...

Boas são as festas que "ilustram"...

Beijos :)
H.F.

Marcelo Novaes disse...

Dri Godoy,




Poema cheio de ternura.

Este personagem, ao seu modo, estava bem no espírito. Ainda que "cantasse em eslavo".





Beijos,










Marcelo.

Mirse Maria disse...

Lindo Godoy!

Real, Atual e principalmente tua maneira de escrever o belo espírito de Natal!

Desejo a você um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de belos poemas como este.

Beijos

Mirse

Marcos Satoru Kawanami disse...

é de Fernando Pessoa a expressão "cadáver adiado", que usei.

Anita Mendes disse...

drika, acho que essa versão de papai noel urbano está mais cerca da nossa realidade do que a gente imagina!!! genial!!
beijos e boas festas (se não nos falarmos ate la...)
Anita.

Wania disse...

Dri querida

Trouxestes o Natal pra rua, para nossa rua! Ficou muito bonito!

Eu gosto muito deste teu jeitinho de poesiar: consegues trazer a poesia pra bem perto, quase posso tocá-la quando te leio.

É lindo, é muito tu!
E eu te vejo assim muito pão pão, queijo, queijo! Se estou errada me corrija, por favor!

Um Natal e um 2010 iluminados pra ti e todos os teus!
Bjão carinhoso

sopro, vento, ventania disse...

Dri,
essa foi de doer. e apesar de tudo, ainda é natal! bonito seu texto sobre uma outra visão de natal.
um beijo grande,
Cynthia

sopro, vento, ventania disse...

texto seu esse bom pra dialogar com. passa lá, tá? um beijão e obrigada por respirar poesia sempre.
Cynthia

Projeto Eutanásia disse...

Que beleza, Dri. Esse é o tipo do Natal que estava pensando hoje pela manhã. A chuva e toda sua melancolia. O cão... alegria, companhia. Este é o verdadeiro espírito do Natal... do Bucowski.

Beijos, alegrias e poesias.

E um feliz Natal" (meu e da turma do Eutanásia!)

Aliás, bem que você podia fazer parte do clã, hein?