sexta-feira, agosto 21, 2009

vento de agosto

paisagem/rafael godoy

as luzes da cidade acenderam a noite
e estou do outro lado

penso quando não pensava no tempo
e tinha sempre uma lua inventada

os pássaros escuros varrem os insetos
este espaço é muito vasto

o vento de agosto entra no meu quarto
e não ouço o seu barulho
e sinto suas mãos frias
e a noite acesa do outro lado

me escondo no escuro
e a imensidão fica pequena

quero fechar as janelas
mas a lua é imensa
levanto-me no vento
e me curvo às suas frases de pedra

37 comentários:

Luciano Fraga disse...

Querida poeta, voltei, tomado de saudades e trazido pelos ventos de agosto e que gosto,mesmo com "frases de pédra", beijo terno.

daufen bach. disse...

Agosto!
(a)gosto das nuvens secas,
das aragens mórbidas
dos cachorros loucos
e das distãncias.
(a)agosto das tormentas
dos ventos sórdidos
a brincar com as cabeleiras,
das panelas caindo das prateleiras...
agosto...

minha cara Adriana, que belo teu poema. pra mim agosto sempre tem um quê de indecisão.

Abraço a ti. tenha aum lindo final de semana.

daufen bach.

Devir disse...

Simplesmente, sem palavras
para a ilustração de seu filhoty

Nas pedras o diamante dos oshos
pode conter o raro
blilho sublime
para desopacar
o mal uso da radiação

Saladinha, para variar, rss

Também gosto.

AGod, isso é um Uivo!!!
Tão singelo, cristalizado...
racional e irracional na medida!!!
Onde, disse à primeira vista
que consegue talvez suplantar
ginsbergs com gêlo

"Eu vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,
“hipsters” com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite, que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando jazz,
que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodos, que passaram por universidades com os olhos frios e radiantes (...)"

Viu, e não fêz nada, foi poeta...
que não é
e só flerta
com o irracional.

Não são minhas mágoas que os matam!
Sequer a boneca nos seus espelhos!
Na verdade, não existe papo furado!

Não vou ficar
"escutando o matraquear da catástrofe na vitrola automática de hidrogênio, que falaram setenta e duas horas sem parar do parque ao apê ao bar ao hospital"
Não!

Destas repetidas ou saudosas
alegrias ou pequenas tristezas
de seus (H)umbigos, sejam limpos
alucinados ou alucinados sujos que
os ventos de todos os tempos nunca
me contem duas vezes a mesma lua e
que o amor jamais ampute as mãos nem qualquer outra parte do corpo
para compulsivo(?) agradar elogiar
quem compassivo lava as mãos diante
do alucinado estado do mundo

Arre, baba

Lara Amaral disse...

Comentar os seus poemas não é muito fácil para mim, pq sinto tantas coisas com eles. Sentimento demais é difícil de explicar. Só posso dizer então que é bonito, e que preenche ao ler.
Beijos, Adriana.

pianistaboxeador21 disse...

É sempre muito bom te ler. Gostei imensamente do poema.Separei este trecho,mas existem outros que tb são muito bons:

quero fechar as janelas
mas a lua é imensa
levanto-me no vento
e me curvo às suas frases de pedra

Beijo

Devir disse...

Diante de tantas etiquetas impensadas ou compulsivas também
frases como totem (rss)
liga, dá uma brisinha suave

Gosto muito do poeta tambem, Luciano
que, acho que óbvio, está também
em agosto

AGod, seu poema é Resposta!!!

Não só para mim e principalmente
às crianças que temem o escuro
só porque não ainda próprios;
farta imaginação sem USO do bem;
não pensam ainda tão vasto mundo;
nem precisa dizer
que por se saber crianças ainda
se vêem frágeis
e precisam respeitar amor carência
de mamar e psiu(tabú)








beijo

sopro, vento, ventania disse...

queria, primeiro, agradecer as visitas. Sempre, sempre uma honra e uma imensa alegria receber você.
depois, fala... que poema lindo! dá vontade de continuar debaixo das cobertas, mas às vezes é hora de aquietar mesmo.
adorei.
BJ. Cynthia

Anita Mendes disse...

"quero fechar as janelas
mas a lua é imensa
levanto-me no vento
e me curvo às suas frases de pedra"
... então drika, deixa ela ( a lua)te levar....

os ventos . eles trazem e levam tantas coisas mas nos continuamos aqui no mesmo lugar(rs).
beijos eternos, Anita.

BAR DO BARDO disse...

invento uma lua
para a acesa
noite

vento...
vastidão adunca
as garras em gelo
em golpes de fffssh

ai, agosto
da cela não vejo
o braile da pele
o bônus do resto

amanhã tentarei uma gigantesca bola de fogo no céu
&
se possível
um jardim de tule
ao seu redor

e eu também me curvarei
às frases na pedra
às lápides que insistem no musgo
no perfume do mofo
na vida subterrânea

se me esquecer de seu nome
você não precisará dele
nunca mais

farei isso, isso tudo
pelo vento de agosto
farei isso
por você
farei isso
feliz
farei isso
por nós
farei isso
por Deus


copyright adriana godoy

Hercília Fernandes disse...

Godoy,

os ventos de agosto [quentes ou frios...] lhe trouxeram excelentes versos. Lindo poema, minha amiga!

Parabenizo também ao Rafael. Essa aquarela é simplesmente poesia. Belíssima!

Beijos nos dois :)
H.F.

Vieira Calado disse...

O vento tanto traz frases de pedra...

como as leva para longe...


Bjs

Isabel Estercita Lew disse...

Adri, acho que podemos continuar inventando luas, inventando presentes mais amáveis, não temos nada a perder, é uma sensação boa, deixar nosso quarto para que o vento deite. Aproveitemos enquanto do outro lado a noite está acesa.

Beijos

Estercita

José Carlos Brandão disse...

"As luzes da cidade acenderam a noite" e "o vento de agosto entra no meu quarto" e todo o poema, tudo são achados, ou bem elaboradas imagens. Surpreendentes.
"... e me curvo ás suas frases de pedra." As suas frases são corretas como as pedras, o peso exato, a frieza, o diálogo fechado.

Um bom poeta é aquele que sabe surpreeender. Você surpreende. Demais.

O Profeta disse...

Não me queres dizer onde mora o teu sorriso
Ausente do incontido abraço
Ausente das palavras felizes
Envolto em nuvem escura no espaço

Não me queres dizer o rumo
Que leva ao teu terno coração
Não me queres abrir as portas
Da cor vibrante da paixão?


Bom domingo



Doce beijo

Lou Vilela disse...

Dri Godoy,

"penso quando não pensava no tempo
e tinha sempre uma lua inventada".

Acho que ainda não perdi o hábito de inventar luas. ;)

Que beleza de construção! Seus poemas me enternecem.

Bjs

Ah! Sou uma grande admiradora das telas do Rafael.

Lara Amaral disse...

No último concurso não fui mto bem, mas daqui há algumas semanas haverá outro. Estou estudando à bessa, rs.

Ter seu comentário no meu blog é uma honra. Saber que uma escritora como vc passou uma parte do seu tempo a ler atenciosamente os meus poemas me deixa muito feliz. Obrigada! Grande abraço!

Renata de Aragão Lopes disse...

Pareceu-me a noite
daquela manhå de inverno
que ouvi Chopin! : )

E como anda ventando
neste agosto...
Aqui em Juiz de Fora,
como jamais havia visto (ouvido).

Beijo, Dri!

Talita Prates disse...

Fecha as janelas, não!
Lindo, Adriana.
Bjão. Ótima semana.

Lai Paiva disse...

Adriana, quanta beleza em suas palavras. Cada poema melhor que o outro. Parabéns viu? Andarei sempre por aqui!

Úrsula Avner disse...

Oi Adriana, sua poesia é encantadora. Gosto muito do seu estilo de escrita. Que bom que estamos compartilhando o espaço no " Maria Clara ... " Bj com carinho.

nina rizzi disse...

oi dri,

lembrei daquele poema do bandeira noturno da rua da lapa, sabe? o articulado implacável, implacável bicho que voava e não permitia qualquer possibilidade de evasão...

gostei demais. e que paidagem, mulher. que paisagem!

beijim com tônica ;)

Fred Matos disse...

Além do ótimo poema é preciso destacar a belíssima ilustração do Rafael.

Ótima semana.
Beijos

Adriana Godoy disse...

Oi, gente!! Desculpe não responder pra cada um, é que o meu tempo esses dias tá corrido, mas saibam que cada comentário fica arquivado aqui no meu coração. Obrigada a cada um de vocês e beijos em todos.

Adriana Godoy disse...

Pimenta, um destaque para seu poema. Amei. Bj

Devir, um destaque para seu comentário. Muito bom. bj

pianistaboxeador21 disse...

Estou burilando no marfim, às vezes empaca. Tirei aquele outro capítulo que era pra ser meio que um conto da própria personagem, mas percebi que ficou mesmo meio deslocado. Logo vou retomá-lo, estou tentando, mas não está saindo legal. Obrigado pelo comentário.

meus instantes e momentos disse...

passando para te desejar uma ótima semana. aproveito para ler de novo esse post lindo aqui debaixo, sobre a Guanabara. Muito bom.
Gosto do teu blog.
Maurizio

Vinícius Paes disse...

Adriana mais um belo Poema.
O gosto de Agosto é quase sempre igual, amargo e frio.

Beijos.

Ígor Andrade disse...

Gostei!
Bom voltar aqui também.
Abraço, Adriana!

Adriana Godoy disse...

Obrigada a todos a quem ainda não agradeci. beijos.

Adriana Karnal disse...

A noite acesa, mas as mão frias...que conflito nesse poema intimista,Adriana.gostei,viu?

Marcia Barbieri disse...

Os ventos de agosto e suas mãos frias.Maravilhoso como sempre seus poemas.

beijos

Mirse Maria disse...

Oi Adriana!

Ainda na tentativa de ajuste de blogXsaúde.

Mas nem que fosse por um segundo...não perderia essa visita, que o vento me soprou.

Belíssimo, amiga!

Maius uma vez, pelo menos eu fico sem palavras, encantada com sua prosa!

Beijos

Mirse

guru martins disse...

..."céu de vidro
azul fumaça
quatro graus
de latitude
rua estreita
praia e praça
minha arena
e ataúde"...

bj

Adriana Godoy disse...

Xará, Márcia, Mirse, Guru, fico feliz com seus comentários. Obrigada. Bj

Marcos Satoru Kawanami disse...

quando eu entendo, comento. quando não entendo, assumo.
mas não saio assumindo por aí, digo, também não tenho nada pra assumir.

rsrsrs

ptz, boiei!

=D
marcos

Helena disse...

Muito bonitos o blog e os poemas. Obrigada pelo comentário no poemadia, acho que somos parentes, minha avó materna era Godoy de São Paulo

beijo,

Helena

tania não desista disse...

oi, adriana!
pra mim, agosto ,sempre, foi encantador! aniversário da minha mãe! lê-lo, em poema,reafirmou meu amor por esse mês, tão particularmente querido.
salve seu encanto nas palavras!
e rafael!.. coroa...sempre, seus ditos.
bjos
taniamariza