quarta-feira, setembro 02, 2009

quando vier o dia


Protesto contra a morte de uma jovem de 17 anos, moradora da favela Heliópolis, na zona sul de São Paulo, ocorrida na noite de segunda-feira. Foto de Werther Santana/Agência Estado.
( imagem do blog de Víctor Barone
http://escrevinhamentos.blogspot.com/)

e quando vier o dia
os homens estarão mortos
as crianças tristes e perdidas
e órfãs as mulheres

quando vier o dia
ficarão pássaros com asas queimadas
e o grito insano da cidade

estaremos sedados
a noite e o país em pedaços

melhor fechar as janelas
e não ouvir

estaremos seguros em nossas casas
e alguém dirá que não existe guerra

(esse poema também está lá no Balaio Porreta, aqui)

34 comentários:

BAR DO BARDO disse...

sensibilidade em pólvora:


rastilho
que nos ascenda...





entendi o recado, ginsberg!
agradeço. beijo.

Adriana Godoy disse...

Pimenta, acho que vc entendeu mesmo. Agradeço sua sensibilidade. beijo.

Isabel Estercita Lew disse...

Talvez digam que a morte da menina é um efeito colateral como tanta morte à toa no sem sentido desta guerra urbana. Os jornais certamente estão cuidando disso.
Não sei se adianta fechar as janelas.

Beijos

Pensando em vc meu último post é bilíngüe 

Estercita

Lara Amaral disse...

Gosto da forma como vc dá seus recados. Tristes, verídicos e poéticos.
Grande abraço, Adriana.

José Carlos Brandão disse...

... a revolta dos bárbaros sempre é anunciada no fim de uma civilização. Talvez esta seja a última.

... dor.

Vinícius Paes disse...

E vem de lá, do âmago das pessoas, o apocalipse.
No dia do juízo final, quem será julgado? Os que gritam pela liberdade, ou os que se escondem atrás da tevê?

Obrigado, por mais esse texto, Adriana.

Beijo.

Úrsula Avner disse...

Oi Adriana, sensíveis e verdadeiras palavras que transmutam sentimentos de indignação vividos por todos nós frente á impunidade, injustiça que vigoram nesta nação. Um abraço com carinho e obrigada por seus comentários sempre edificantes em meus espaços poéticos.

Úrsula Avner disse...

Oi Adriana, sensíveis e verdadeiras palavras que transmutam sentimentos de indignação vividos por todos nós frente á impunidade, injustiça que vigoram nesta nação. Um abraço com carinho e obrigada por seus comentários sempre edificantes em meus espaços poéticos.

Adriana Godoy disse...

Estercita, não adianta mesmo...é essa a intenção. Já fui lá conferir. bj

Lara, agradeço mesmo, fico feliz que goste. beijo.


JC, uma apocalíptica e interessante visão. beijo.

Paes, entendi o seu recado. Valeu sua visista, beijo.


Úrsula, palavras fortes e verdadeiras. Obrigada pelo carinho beijo.

Danilo de Abreu Lima disse...

adriana,
sensibilidade aguçada, poema nu e cru- ninguém está a salvo do caos- as casas também são cao-sas. essa dita civilização pratica barbáries mais cruéis do que as hordas dos hunos, atilas e cia ilimitada. por isso a gente vive clamando por paz-aguardando aquarius- já não era para tder chegado? seu poema é um canto claro e transparente contra essa violência idiota... contineumos assim, cantando e procurando transmitir aos outros nossas idéias de pacificação. Grande abraçao, poeta!

tania não desista disse...

oi,adriana! é triteza demais!
nesse mundo caótico,qualquer guerra
menstruada , me assusta e apavora.
me amarga os sentimentos...
me comove ,me impossibilita.
qualquer morte ,me dilacera..
mesmo longe ...é como perto!
me sinto assim ,com esses absurdos sem fim.
bjo adriana ..um poema pleno de sentimentos
taniamariza

Hercília Fernandes disse...

É preciso se indignar com a realidade para que se possa vislumbrar melhores dias.

Seu texto, Godoy, protesta com brandura. Sua luta é desarmada, posto que poética.

Muito gostei. Parabéns por sua sensibilidade!

Um beijo, amiga.
H.F.


P.S.: Amanhã é seu dia de postagem mensal no Maria Clara. No aguardo... Bjs.

sopro, vento, ventania disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
sopro, vento, ventania disse...

comecei a dedilhar várias coisas nesse curto espaço, e a todas dei delete. não cabem palavras a mim, nesse momento, pois estou engasgada do mais absoluto luto das palavras nesse instante. é muito phoda tudo isso! lindo poema, belíssima sensibilidade. bom que seus versos tenham tanta vida mesmo diante de tristes mortes, pois assim não morre o sonho de acreditarmos que, quem sabe, um dia, tudo muda (desde que não fechemos a janela).
bjs grandes sinceros solidários e carinhosos.
Cynthia

sopro, vento, ventania disse...

Querida Godoy,
essa sua voz, de uma mineirice nada quieta, me fez colocar pra fora um pedaço da minha voz que andava quieta, mas nada inteira.

um beijo
Cynthia

Moacy Cirne disse...

Sua voz também é porreta
"quando vier o dia".
Sua voz também meece ser ouvida
"quando vier o dia".
E diante de sua poesia
jamais "estaremos sedados".
Ou seja:
preciso te ler mais.

Abraços.

Anita Mendes disse...

"estaremos seguros em nossas casas
e alguém dirá que não existe guerra"

drika, um balde de água fria na cara da sociedade hipócrita. estamos sedados de esperança e cegueira.
e idgnação é chama que nos faz acordar?
belo! amo poesias com fundos sociais( vc sabe)!
beijos enormes pra ti, Anita.

ps:esse poema me fez lembrar uma musica dos Talking heads( Life during Wartime).

Adriana Godoy disse...

Danilo, seu comentário faz pensar ainda mais. Obrigada por suas palavras e entendimento. bj

Tania, também me sinto assim...obrigada por sua sensibilidade e palvras. beijo.


HF, palavras concisas e precisas.Bj

Cynthia, mais uma vez, obrigada pelo carinho e sensibilidade. beijo.

Moacyr, uau, que bom ler suas palavras...isso só inspira. Obriogada.

Anita, ter vc como leitora e admiradora de meus poemas é uma honra. Só posso agradecer e agradecer. Beijos.

Talita Prates disse...

Homenagem póstuma tem é que servir para os vivos.
E nós (ainda... até quando?) fazemos parte dessa "categoria".
Arte pela vida.
Arte contra o Absurdo.
Bjo, Adriana.

Luciano Fraga disse...

Adriana, muito triste e cruel o encaminhamento da humanidade, parece-me que os sonhos e a sensibilidade dos homens bateram asas e o discurso é o silêncio, parabéns pelo poema grito, beijo.

Mirse Maria disse...

Maravilhosa a forma poética e sutil que trata do trágico.

Quando vier o dia, jamais nós, seus seguidores e amigos, estaremos sedados.

LINDO! LINDO!

Beijos

Mirse

On The Rocks disse...

dentro de casa, não. mas lá fora...

infelizmente.

bj

Marcos Satoru Kawanami disse...

Adriana,

a guerra é permanente, existe desde o tacape pré-histórico.

nina rizzi disse...

eita, dri. isso me acerta em cheio: baioneta, molotov. dos guetos pro fundo.

paz, só se armada, hm?
dei uma sumida por isso: reintegrações de posse, violências. choro e caos. e os pequeninos da terra tem teto, terra: nossos braços-poesia a se irmandar.

não, não basta. nem é suficiente. é fado.

beijo, dri.

(sim, joguei sua flor no mar. ontem à noite na volta)

[ rod ] ® disse...

Guerras e incompreensões... e o homem ainda insiste na farça de justiça a qualquer preço.

Bjs moça,







Novo dogMa:
acaBou II...


dogMas...
dos atos, fatos e mitos...

http://do-gmas.blogspot.com/

Adriana Godoy disse...

Talita, uma leitura interessante a sua. Gostei.bj

Mirse, que bom que gostou. Também gosto de seus comentários.bj

Buenas, pode ser..beijo.

Marcus, a barata também...bj

Nina, captei. valeu pela flor no mar, fico feliz. beijo.

Rod, o negócio é mais ou menos por aí. Obrigada. beijo.

Moacy Cirne disse...

Sua VOZ
ecoou
no Balaio.
Hoje.

Um abraço.

Gisele Freire disse...

Que bom este espaço!
Imagens poemas sons, adorei
Abraço
Gi

tonhOliveira disse...

*
- Ai meu rim!
- Doeu?
- Não, é só tristeza...

Que soco Adriana!

Parabéns! Acertou em cheio.

Beijos atentos!

guru martins disse...

...auto engano
também salva...

bj

THORPO disse...

Fazia tempo q não vinha aqui... ando com janelas fechadas nos últimos tempos, mas sem esquecer da guerra do lado de fora. Gostei bastante

Lou Vilela disse...

Belo grito, Dri! característico de um olhar atento.

Bjs

daufen bach. disse...

Caramba!! essa veia poética está dilatada, parece que sístoles e diástoles não estão dando conta de mais nada!
Beleza de poesia!

Parabéns, muitíssimos parabéns!

Cunhadão disse...

Acho difícil ficarmos seguros em casa, mas o poema é lindo, simplesmente, lindo!