segunda-feira, maio 30, 2005

último acalanto



a morte antes distante
conversa comigo como uma velha tia
me conforta nas noites de frio
como se fosse chama no calor
me faz arder suar
transforma o meu dia
incendeia as ruas em que passo

mesmo o sol forte
encobre-lhe a fria neblina
em diferentes sussurros
delírios, sonhos, poesia
entremeia-lhes sempre a morte

titubeio em cada palavra
com medo de que ela goste
e notando que não foge
chamo por seu nome

quando por um instante ela adormece
respiro livre mas a acordo
e a faço levantar
e lhe dou a foice

como se fosse a única companheira
como se fosse meu último acalanto

(poema antigo)

3 comentários:

BAR DO BARDO disse...

mas o último acalanto ninguém lê? é que o temem... a menção à tia é o que há... tem razão, coisa de sangue...

Adriana disse...

Pimentão, Pimentinha, há muito pouco tempo que comecei a me comunicar com outros seres dos blogs, então meus escritos eram meio escondidos, só poucos sabiam de sua existência, não sei se felizmente, ou infelizmente. Gostei de você ter descoberto. Beijo.

Lara Amaral disse...

Adorei esse! Quem não brinca com a morte de vez em quando, literalmente ou em pensamentos, só para se sentir vivo? Depois finge quem não é consigo.