segunda-feira, outubro 07, 2013

anjo caído

arte: rafael godoy

Ele entrou e disse que estava frio lá fora. Bebeu o café quase frio e acendeu um cigarro. Disse que aquele dia tinha visto algumas pessoas estranhas que o seguiam. Jurou que não era paranoia. Perguntou sobre os gatos e se esticou no sofá. Falou sobre o possível apocalipse mas disse que não acreditava em anjos. Elogiou a música que tocava, acho que Coltrane, e falou que nesse momento vinha uma paz quase inevitável ou que a vida tinha algum sentido. Pediu pra eu soltar os cabelos e sentir o cheiro do xampu que gostava. E ainda, com voz baixa e com os braços fortes, me puxou para o seu lado e me deu um beijo longo e forte. Sua boca tinha gosto de menta, provavelmente, alguma bala ou chiclete para tirar o gosto do cigarro. Estava intensamente sensual, com os cabelos despenteados e cheiro de chuva. Dormi em seus braços e quando acordei já tinha ido embora. Ele era assim, aparecia em qualquer hora, dizia coisas sem sentido ou ficava preso em seu silêncio. Eu entendia esse homem de poucas palavras e gestos definitivos. E ele sabia disso. Talvez fosse ele um anjo caído por acaso em minha vida.

( republicado, a falta de inspiração continua )





3 comentários:

xilre disse...

Pode ser republicado, mas que é muito bom, é sem dúvida.

Assis Freitas disse...

talvez, talvez
quem sabe
era uma vez




beijo

doni seo disse...

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