terça-feira, abril 02, 2013

lobos



 
 



quando lobos da cidade com seus olhos de neon
sobem solitários a ladeira fria do bairro
mesmo que não tenha lua e a noite seja de ventos
pensam em suas vidas na fumaça e no uísque que deixaram nos bares
nas mulheres que beijaram e juraram ser únicas
pensam que amanhã pode ser diferente mesmo sabendo que não
entram em casa e olham suas mulheres
dormindo amassadas e quase puras e os filhos no quarto ao lado

esses lobos viram anjos subitamente
vestem a camiseta branca e escovam os dentes
como se fossem limpar os restos do pecado
desejam bons sonhos em silêncio
se enroscam em suas mulheres sob o edredon macio

à noite se esquecem e voltam aos lugares perdidos
beijam mais mulheres e bebem mais uísque
marcam seu território com mãos, línguas e histórias inventadas
e a lua aparece azulada e tímida
esses lobos uivam e seus olhos são de neon 

(republicado)

3 comentários:

danilo disse...

adrana,
cada vez que te leio, aqui ou lá no casulo, aquele poema lindo sobre as descobertas, ejo adelia prado se insurgindo...
como são delicados, liricos e rascantes esses seus poemas...
gosto demais...
abraços do
Dan...
é uma pena que s pessoas estejam deixando os blogs e migrando para esses feicebuqyues..
aqui, o buquê é muito mais prfumado...

Assis Freitas disse...

fodástico,

tu escreves demais


beijo

Grã disse...

"E eles,
depois de fazer tudo o que fazem,
Banham-se,
Barbeiam-se,
Vestem seus ternos...
e voltam a ser
aquilo que nunca foram."

adaptado de Cortazar - Amor 77