domingo, dezembro 16, 2012

entre mim e a cidade



tenho em mim essa fera adormecida
garras prontas para o ataque
a velha loba bêbada e solitária

as luas que já vi ainda brilham nos meus olhos
a neblina nunca me deixa
sinto o cheiro do mar que não existe
e farejo a noite sedenta

o vinho que tomei ontem ainda exala dos poros
a cidade iluminada de natal me afasta
não entro em shoppings e corro de papais noéis

mas a cidade é assim nessa época
e ainda bem que tem os bares
o pôr-do-sol
os amigos as esquinas
e os deuses anônimos das ruas

8 comentários:

Assis Freitas disse...

ainda bem que esses tudos preenchem a imensidão dos olhos,


beijo

Adriana Godoy disse...

Assis, ainda bem que tem muitas coisas que a gente gosta e admira.
Um beijo

Leonardo B. disse...


[envelhecem
de tanto novo

o reciclo
das cidades que nos abandonam.]

um imenso abraço, Adriana

Leonardo B.

Adriana Godoy disse...

Leonardo B., um abraço.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Adriana,

BH está parecendo SP, confundi-me. Eu sou boêmio da água mineral, seguindo sempre o conselho de um dos inventores da coisa no Brasil, o Mário Lago. Estive bêbado em Ouro Preto, e quase morri, daí... já tomo as precaução.

Bruna Wanderley disse...

um pôr-do-sol, realmente, cura qualquer angústia. muito lindo poema.

Anônimo disse...

suas palavras tem muito significado, muito sentimento, permitem viagens intimistas ao universo feminino. coloquei seu blog no meu favoritos.admiro sua capacidade de sintese e seus poemas. admiro as ilustrações. vocês são uma bela dupla.

BAR DO BARDO disse...

jesus foi sendo descoberto aos poucos

quando deram a conhecer-lhe o sobrenome - cristo

aí a coisa desandou


natal
é renascimento

e vc já sabia - há muito


felicidades