terça-feira, agosto 18, 2009

última bossa

imagem google
mágico silêncio que perturba
essa noite na guanabara
e o o cristo de braços abertos
olha para os últimos boêmios
resquícios de uma geração

sempre à espera
da garota de Ipanema
do Leblon ou de Copacabana

esperam sentados
tomando copos de uísque e cerveja
misturados às suas lembranças e delírios

os cigarros antes sensuais
deixam amarelados os dentes e os dedos
a fumaça esconde suas rugas
e o álcool os faz renascer

no cantinho um violão
joão ainda na vitrola
e o mar uma neblina densa

o redentor os admira
esses homens absolutos em sua dignidade
fiéis a uma história
fiéis a uma época
em que era possível sonhar
sonhar paixões sonhar um país

o cristo se inclina por um momento
levanta a mão e chora

só eles os poetas da cidade sabem
só eles os guardiães da cidade podem chorar
pelo menos esta noite
pelo menos nesta derradeira noite da guanabara

(republicado e muito modificado)

32 comentários:

Moacy Cirne disse...

Modificado?
Para melhor, acredito.
E o poema ilustra muito bem
a maravilhosa foto.

Um abraço.

BAR DO BARDO disse...

mais uma, AG.

até de seu banquinho e violão rolam blues pesadérrimos...

você quer me fazer chorar com esse papo de cristo, né? saiba que quase conseguiu. você não presta!

modificado ou não, excelente texto (e ó que eu nem gosto dessas paradinhas de bossa-nova).

parabéns, de novo (tá ficando chato! - que eu só elogio... )!!!

bem, então, um beijo!

fui!

Mirse disse...

Aqui a razão e a Voz é a VERDADE!

O rio Maravilhoso mesmo era o tempo do Estado da Guanabara, onde também se concentrava a sede do Governo.

Era mais fácil protestar, gerar um manifesto etc... do que lá no meio do planalto central. Único erro de JK
Ou será que era para isso mesmo?

Mas a razão do Cristo chorar, foi bem descrita! Embora ainda haja muita gente boa e não falte gente bonita!

Essa imagem vejo do meu quarto!

Amo o Rio!

Belíssima postagem, como sempre!

Parabéns Adriana!

Beijos

Mirse

Mirse disse...

Voltei para dizer : Não é assim que vejo do meu quarto. Claro que não teria essa vista aérea. Vejo apenas o Cristo o que já é bom demais!

+++++Beijos

Mirse

nina rizzi disse...

eu gostava de ter os meus dedos amarelos destes dias. mas o tenho desses.

bruto o meu gostar.
beijo :)

Renata de Aragão Lopes disse...

"o cristo se inclina
por um momento
levanta a mão e chora"

Que trecho espetacular!
E que foto!
Saudades de lá.
E de um tempo
que não conheci...

Beijo, Dri.

O empírico disse...

saudosismo salpicado de boêmia...

O empírico disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adriana Godoy disse...

Moacyr, uma surpresa sua visita. Volte mais. bj

do Bardo, o que eu faço sem você? que delícia de comentário. beijo

Mirse, tenho saudades do Rio, tem muito tempo que não vou a sua cidade. Bom que vc vê o Cristo...obrigada mesmo. bj

Nina, os meus são de várias épocas, mas nem sempre amarelos, costumam ficar cinzas. gosto muito também de vc aqui, bj

Renata, isso é nostalgia. Bonito comentário. bj

Empírico, valeu sua visita, sim, é saudosismo mesmo. bj

guru martins disse...

...recordar é sofrer
e se deleitar
pela segunda vez...
isso vem sendo
feito por aqui
à quase 50 anos
e anda cada vez melhor
porque o melhor
daquele momento
que por coincidência
esbarrou com aquela conjuntura
se esparramou no mundo
e os frutos são os melhores
Cristo hoje chora de beleza
teu texto é muito bom...

e eu bj por ele

sopro, vento, ventania disse...

Ah, Adriana, isso é co-var-dia! não foi só o Cristo que chorou, não: eu também.
Vivo no Rio e amo cada pedaçinho desses pedaços (bad trip) e pecados (bons) do Rio que você colocou aqui. Vivi (a posteriori) alguns pedaços por aqui esparramados, quando já não eram point: lugares que abrigaram a Bossa Nova, e que depois sobreviveram por anos sendo um reduto de saudades; lugares pertinho da minha casa e das minhas causas. Deu saudade da Copa de minha vida, da minha infância querida, de tempos que não voltam mais. Deu saudade dos amigos que hoje também tem saudades de si. Deu saudade de mim. Agora, resta respirar e pensar em tudo de bom que foi (e que está tatuado à unha no meu coração). Agora, é só fazer uma oração, aquietar e parar com esse choro miudo, mas gigante.
Um beijo no seu coração (do meu coração). Cynthia

sopro, vento, ventania disse...

mais algo esquecido: seus textos têm vida; eles falam e a voz que sai tem cheiro de verdade, tem gosto de vontade de ter voz. bjs. Cynthia

pianistaboxeador21 disse...

Já tinha vontade de conhecer o Rio, agora fiquei com mais vontade ainda.
Bonito demais.

Lara Amaral disse...

Uma ótima leitura da cidade, pelo que já conheci. Abraços, poetisa!

Adriana Godoy disse...

Guru, seu comentário-poema é que tá bom demais. Valeu! Beijo.

Cynthia, que bonitos seu depoimento e sua emoção. Dá pra sentir que o meu texto de alguma forma esbarrou em vc e sua cidade. Isso é muito bom. Fico feliz que vc tenha gostado com essa força toda. Obrigada. beijo.

Daniel, moro em Beagá e esse texto foi criado , depois de ver um DVD sobre Vinicius. Quando ia ao Rio, sempre me encantava com aqueles lugares em que os boêmios/ poetas/ músicos se encontravam. E o Cristo sempre ali me olhando, olhando a cidade. Não sei como estão esses lugares, tem muito tempo que não vou ao Rio, mas pretendo ir assim que der. Bom que vc gostou. Beijo.

Lara, obrigada, volte sempre. Bj

Isabel Estercita Lew disse...

Adri, uma delícia teu poema e forte como tudo o que vc escreve, pensei em muitos poetas já se foram e agora, só os resquícios de uma geração.

Beijos

Estercita

Anita Mendes disse...

drika, parece "transfusão" de pensamento, telepatia super -sónica (kkkkkkk), sei lá.
hoje mesmo ,voltando do trampo, estava imaginando uma cena como essa. Ai, o Rio!
cerveja gelada , dentes e dedos amarelados, um suspiro seguido de uma lágrima poética...
o cristo de braços abertos pra as casualidade e fatalidades . que beleza! não poderia pedir mais.
lindo! lindo!
beijos com saudades cariocas,
Anita.

Vinícius Paes disse...

O Rio de Janeiro continua lindo, assim como o ar nostálgico de suas palavras boêmias, Adriana.
Um grande texto. Lindo.

Beijos.

Lou Vilela disse...

Uma contrução que nos brinda com beleza e nostalgia - imagem singular. Gostei muito, Godoy!

Beijos

Luisa Godoy disse...

Também gostei muito do trecho do Cristo se inclinando. Como sempre, você cria climas em seus poemas e os sabe transmitir muito bem. Mesmo quem nunca foi ao Rio (ou pelo menos ao Rio boêmio) em carne e osso esteve lá por 5min, durante a leitura do seu poema. Bjos

tonhOliveira disse...

A nova bossa de hoje
é bala à bessa! (úi)
Saldos...

Lindo este saudosismo!

Beijos AG

Talita Prates disse...

Ótimo/triste retrato, Adriana.
Nessas horas, alegro-me por ter meu cantinho e meu violão, para aludir, ao menos de longe, a esses anos dourados chorados pelo cristo.
Bjo!
=)

PS: ainda hoje toquei "Chega de Saudade" e "Canção do amor demais". rs

Adriana Godoy disse...

Isabel, obrigada por suas palavras. Sua visita é sempre boa. beijo.

Anita, vc falou tudo, tem dias que me sinto assim, dá vontade de estar no Rio, mesmo do jeito que está hoje. Sempre é um bom sentimento. Valeu, beijos.

Paes, é isso. Valeu, beijo.

Lou, que bom que gostou. Gosto muito de sua visita.beijo.

Talita, que legal, vc tocando bossa nova..deve ser muito gostoso, né? Obrigada. beijo.

Luísa, ainda bem que vc leu...é tão rara sua presença, mas gosto tanto quando vem. Beijos.

Tonho, é bala à beça, mas sobram alguns cantos bons de se beber uma boa cerva, né não? É o que espero, na próxima ida ao Rio. Obrigada pela visita. beijo.

Hercília Fernandes disse...

... e muito modificado?! O que quer dizer?...

Estou com o Moacy, mas acrescento: creio que conservou a essência original do poema. Se o modificou foi para melhor embalar as noites na Guanabara. Muito bom, poema-bossa precioso!

Beijos, amiga!

H.F.

Adriana disse...

Adriana,
eu que não conheço muito do Rio, já fiquei com saudade...os bares, a bossa, a buena vista...rs(bela imagem pra continuar com b)

José Carlos Brandão disse...

Estive viajando, mas aqui estou - feliz em vê sempre mágica, absoluta, chorando o sonho na mão como um cristal partido. Um dia o Cristo desce lá de cima...

Um beijo.

Lívio Oliveira disse...

Belo poema, como é belo o seu outro sobre Belo Horizonte e que coloquei, atrevidamente, lá em O TEOREMA DA FEIRA.

Um abração!

Marcia Barbieri disse...

Lindo essa sua sempre nostalgia poética.

beijos

Devir disse...

Que poema lindo!!!

E gostei muito dos comentários
que ele desencadeou (literal)

As balas a bessa é realidade
que precisa parar
e já não pode ser tarde ou nunca
respirar se tornou uma ordem
não mais de fuga...

Gostei muito mesmo

Grande beijo

Adriana Godoy disse...

A todos que não agradeci, agradeço agora.

Ao Lívio, mais uma vez, obrigada.

HF, modifiquei algumas coisa que mudaram um pouco a cara do poema original...obrigada.

Xará, obrigada por sua doce presença.

JC, é melhor que ele fique lá...bj

Devir, nem tô acreditndo...obrigadíssima por sua presença intensa. bj

Márcia, beijo, valeu.

Projeto Eutanásia disse...

Que delícia de poesia, Dri.
Sensacional.
Amei.

Beijos, alegrias e poesias.

Vinícius de Moraes Cover.

Adriana Godoy disse...

Buda, bom que gostou...Já que o Vinicius já se foi há muito, fica agora o cover que é bom demais. Beijo