sábado, março 21, 2009

o que vou deixar para os meus filhos?

série cenas de infância /ferrari

o que vou deixar para meus filhos?
há mães que deixam fotos organizadas em álbuns.
há mães que deixam uma conta na poupança para o futuro deles.
há mães que dão exemplo de uma vida serena e comportada.

o que vou deixar para os meus filhos?
algumas fotos coladas sem ordem , alguns cedês,
algumas histórias esquisitas, tristes ou engraçadas,
alguns livros que provavelmente não vão ler,
uma infância linda em um tempo de quintais,
alguma tristeza de não os ter amado como precisavam.

o que vou deixar para meus filhos?
um olhar que está nos olhos deles,
um jeito tímido de sorrir,
uma foto minha na parede,
e a certeza de que são a melhor coisa que deixei.

43 comentários:

On The Rocks disse...

lindo adriana!

tava conversando com luciano fraga a seu respeito e chegamos a conclusão de que você é uma pessoa bem legal, alegre e extrovertida.

às vezes a gente erra, é verdade...

a solidão e as amarguras está em cada um de nós...

no mais, a gene gosta de você e ficamos pensando um dia em poder conhecê-la pessoalmente, quem sabe?

um beijo,

seja feliz.

Anita Mendes disse...

"o que vou deixar para meus filhos?
um olhar que está nos olhos deles,
um jeito tímido de sorrir,
uma foto minha na parede,
e a certeza de que são a melhor coisa que deixei"


Drika, um pergunta que nos intriga num final que se tranquiliza.
também sei que vc deixará poemas lindos .
esse poema carrega com ele uma pureza desse instinto maternal incondicional:belíssimo.

ps: quero colocar o seu poema medonha ( que esta no poema dia) no meu blog, posso?

beijos...
Anita.

Hercília Fernandes disse...

Adriana,

não tenho muito o que dizer de seu poema. Apenas que ele é IMENSO, grande em linguagem, valores e sentimentos

=

BELO!

Beijos, minha querida.

H.F.

Adriana disse...

Buenas, seria um prazer e uma honra. Acontece que estou do outro lado das montanhas, não sei como seria esse encontro. Depois a gente vê. Essa dupla Buenas e Luciano é boa demais. Beijo.

Adriana disse...

Anita, é claro que sim. Mais uma vez, obrigada pelo comentário.


Hercília, obrigada, você sempre é muito amável.

Rafael Rodriguez disse...

Que lindo!!!

Quero um filho para poder deixar muitas coisas, principalmente essas relacioandas por você.

Uma caixa de sapatos cheia de fotografias, um pouco desorganizada para recontruir as histórias com ele.


beijão.

Adriana disse...

Obrigada, Rafael...ter filhos é um mistério que desvendamos todos os dias. Bj.

BAR DO BARDO disse...

Ei, você conseguiu me fazer chorar...

JC disse...

O que melhor podemos deixar aos nossos filhos é que são a melhor coisa que deixamos.
O teu poema é lindo. Mas esta frase marcou-me.
Beijinhos

Adriana disse...

Bardo, ei, isso é um feito heróico(chorar). Obrigada por suas lágrimas. Beijo.


JC, agradeço a visita e comentário. Beijinhos.

Cosmunicando disse...

quase que sigo o Henrique nas lágrimas aqui, de fato seu poema pega fundo nesse sentimento de posteridade, de maternidade. Ainda por cima me identifico com tantos desses versos quando penso na minha filha... belo, Adriana. Sem muito o que dizer a mais.
bjos

Mirse disse...

Adrina, Hercília meguiou até aqui. Ela deixou para mim , não uma caixa de ecordações, mas um lugar onde li diversos poemas lindíssimos. Agora sou sua fã.
Deixar para os filhos... é tão dif´cil, porque há o outro lado da moeda.: eles não aceitarem ou não valorizarem.
Acredito que o melhor a deixar ainda é a educação, para que eles coham seus próprios peixes.

Poema rico e belíssimos!!!

Parabéns!!

Beijos

Mirse

José Carlos Brandão disse...

Poemaço.
Tanto que te roubei. Só se rouba o que vale a pena. Roubei a idéia, era boa demais (só a idéia, não me apropriei do seu poema). Gênio é quem descobre o óbvio. Eu não tenho imaginação nem criação nenhuma, busco o óbvio que os outros descobriram. Muito, muito obrigado e espero que não fique brava.
Eis aqui o produto do meu roubo:

TESTAMENTO

Deixarei meu olhar no olhar do meu filho
Deixarei minha voz estranha como a vida
Deixarei a minha estranheza nos gestos
Na minha difícil, impossível humanidade

Deixarei o meu sorriso tímido e atrevido
Um jeito enigmático para os outros
Uma correção, um espanto, um sim e não
Deixarei, imperfeita, a minha diferença

Deixarei a minha pele, a minha delicadeza
As minhas palavras ressoando no escuro
Deixarei meus erros e meus escuros acertos

Deixarei o sentido do êxtase, tão pouco
Deixarei o quanto tenho de alma e de absoluto
Deixarei Deus, no espelho, para o meu filho.

Luciano Fraga disse...

As mães.Outro dia lendo um livro,a filha dizia para si mesma ao saber que perderia a própria mãe:"você não poderia ver nem imaginar, nem ouvir música, nem experimentar bons vinhos, nem me abraçar, nem ouvir tantas e tantas histórias que eu gostaria de lhe contar..." Não precisa que nossas mães nos deixem nada além de ser...Lindo e emocionante, beijo.

Eduardo P.L disse...

Adriana,

obrigado pela sua visita e simático comentário!
Volte sempre!

Adriana disse...

Mirse, obrigada pela visita e comentário, volte sempre.

J.C.Brandão, que belo poema a partir de uma ideia "roubada". Se todos os roubos dessem frutos como esse...
Lindo o seu poema, obrigada pelo presente.


Luciano, meu querido e genial poeta, suas palavras só me fazem continuar..sua visita enobrece sempre. Beijo.

Adriana disse...

Eduardo, a recíproca é verdadeira.Bj

Cosmunicando, obrigada por sua identificação com meu poema. Isso faz bem. Bj

V.M.Paes disse...

Ahhh, lindo, lindo, lindo... meus olhos brilharam com esse texto. Palavras maternais, seguras. Muito bom mesmo.

beijo.

Adriana disse...

V.M.Paes, se serviu pra brilharem os seus olhos, acho que o poema cumpriu um pouco o seu papel, obrigada. Bj

Renato Barros disse...

Não sei o que é ter filhos, mas seu poema exprime sentimentos tão simples e profundos que emocionam. Se um dia eu tiver filhos, vou me lembrar de sua poesia. Lindo, Dri. Um beijo. R.B.

Compulsão Diária disse...

Adriana,
É lindo um ninho vazio e cheio de poesia. Ficamos na lembrança deles como nossos pais.
E deixamos a capacidade da comoção ao ler um poema destes: estupendo!
Abraço carinhoso.
Eu precisava deste poema hoje

nina rizzi disse...

é lindo. é suave. é necessário. vc de mãos dadas com as crianças e os livros e as canções e as histórias. e pqp a grana e os comportamentos.

eu gostava que fosse minha mãe. é o que deixo pra minha filha
----,-'--@

pianistaboxeador21 disse...

Alguns poemas são bonitos. Outros são simplesmente maravilhosos!!! Este é um dos maravilhosos. Quanta ternura! quanta verdade! Fica a sensação de que nós, os pais, tb somos crianças tão perdidas quanto as nossas próprias crianças.

adorei.


Beijo,

Daniel

Desculpe a demora. continuo sem computador. Estou acessando do trabalho.

Cristiane disse...

Penso tanto nos filhos que ainda não tive...
Porém com tantas dúvidas e só uma certeza, serão amados.

Suas palavras me inclinaram a pensar no meu intisnto materno.

Bjos

Adriana disse...

Renato, é uma experiência complexa, mas vale a pena. Obrigada.

Compulsão Diária, não sei o que dizer, é muito bom saber que o poema te tocou dessa forma. Obrigada.

Nina, seu jeito de comentar é leve e forte. Obrigada.

Daniel, nem sei o que dizer, suas palavras me deixam emocionada de tão lindas. Beijo.

Cristiane, que bom que o poema te fez pensar na maternidade dessa forma. Obrigada e que bom que voltou.

Tomaz disse...

Muito lindo !

Eu ainda não tenho filhos, mas me emociona o Poema pelo fato de já ter perdido minha mãe... E algumas coisas que você pensa em deixar(principalmente o olhar e o jeito timido de sorrir)são as que eu como filho, mais guardo como lembrança.

Um beijão.

Adriana disse...

Tomaz, legal o poema em que traz um pouco a lembrança de sua mãe, mesmo o olhar ou o jeito de sorrir. Valeu. Bj

Anônimo disse...

Adriana,
que bom entrar no seu blogue e ler um lindo poema. Com certeza você é muito mais sensível, humana e mãezona. Você tem comentado os meus poemas também no meu blogue. Não se preocupe com o legado que você irá deixar para os seus filhos, eles (seus filhos) têm o seu DNA e isso é para sempre. O resto o tempo sucumbe em acabar. Obrigado pelos seus comentários e continue visitando meu blogue.
Saudações,

Mauro Lúcio de Paula

Renata disse...

Que BONITO, Adriana...

Ser mãe é exatamente isso: a indagação sobre o que deixaremos aos filhos, seguida da certeza de que são eles nossa maior herança.

Adriana disse...

Mauro, gostei de sua visita. Obrigada pelo comentário.

Renata, obrigada mesmo. Você captou.

Voltem sempre!

Tchi disse...

Deixar o sentido de ser mãe que afagou, acarinhou, amou.

Deixar o testemunho de MÃE que foi MÃE.

Camila Vardarac disse...

belíssimo desfecho!

beijos

Lou disse...

Adriana,

Deixamos, inclusive, parte de nossa essência...

Belo poema, minha cara! Fiquei emocionada.

Tem um “mimo” para você em meu blog.

Abraços,
Lou

Adriana disse...

Camila, é bom ler seu comentário. Curto e certeiro.

Lou, bonito o seu comentário. Obrigada pelo mimo, mas não consigo fazer aquilo tudo. Deixei recado em seu blog. Bj

anjobaldio disse...

Muito bom. Grande abraço.

Pedro S. Martins disse...

no teu final saberás que lhes deixaste o seu início.

Ígor Andrade disse...

Esse poema me lembra uma conversa que tive um dia com meu avô. Lembrança boa. Como esse tempo voa.
Grande abraço, Adriana!

Cynthia Oliveira disse...

Adriana, passando no blog de Rafael, vi sua resposta sobre o amor que tece a dor. e vim aqui no teu espaço, se me permite. E vi esse teu poema, e não pude deixar de ficar assim, engasgada. LIndo demais: para quem cria e ama quem cria, não há como não se emocionar.
muito lindo mesmo. O bom de sentir uma certa tristeza por algo lido, é pensar que há tempo de arregaçar as mangas e repensar e (re)agir para mudanças possíveis.
um abraço,
Cynthia

Adriana Godoy disse...

Anjo Baldio, Pedro, Igor e Cyntia, obrigada pelos comentários. Fico feliz com suas visitas. Voltem semprem.

Guru Martins disse...

...e a certeza
que fostes
a melhor mãe
que eles
poderiam ter...

bj

Adriana Godoy disse...

Guru, me emocionei com sua palavras. Pelo menos tentei ser ...beijo.

Lin disse...

Belo! Muito belo!

Anônimo disse...

Que lindo discurso o seu,garota!!!Um deslumbramento sem fim...Valeu minha madrugada!!!