domingo, agosto 15, 2010

talvez o último poema ou o velho buk tinha razão

gato preto/ rafael godoy
para nina rizzi

não eu não respiro poesia nem vivo por ela
não me sinto poeta nem outra coisa que o valha
vivo na rotina dos dias incansáveis
e às vezes fecho a janela para não ver a manhã
sou como tantas
talvez um pouco mais triste
e quando menos espero
sinto que as palavras vêm
e tenho que escrevê-las

mas isso não é poesia nem ser poeta
é tirar do café que tomo um gosto diferente
é olhar os carros na rua e pensar em poentes

e quando li nina hoje
me deu a sensação de que as palavras não viriam nunca mais
e olhar uma aranha na parede vai ser olhar uma aranha na parede
e nada mais

talvez esse não seja meu último poema
mas o velho buk sabia:

"se você está morto
você podia também ser enterrado
e jogar fora a máquina de escrever
e parar de se enganar com
poemas cavalos mulheres a vida:
você está entulhando a saída- portanto saia logo
e desista das
poucas preciosas
páginas."

(escrito a partir da leitura de nina rizzi in: ellenismos)

35 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Adriana, belíssimo teu cantinho.

Priscila Cáliga

aapayés disse...

Muy bello y tierno.. me gustó mucho.



Un abrazo
Con mi saludos fraternos..

Que esta semana sea de las mejores, son mis mejores deseos..

João A. Quadrado disse...

[a parte mais intima de poesia será sempre provisória, um pouco de ar de mão em mão, que não se resgata, nem procura, nem se acha: acontece como o dia pela porta adentro, palavra adentro da mão, acontece e raramente tem razão]

um imenso Abraço, Adriana

Leonardo B.

nydia bonetti disse...

Isso "é" o que chamo de pura poesia. Este "sabor" que se acrescenta aos dias comuns. beijo, Adriana.

Unknown disse...

DRI!

Esse velho buk, (quem disse que tem razão?)

Razão temos nós que a consideramos poesia pura, até na respiração!

Beijos, poeta!

Mirze

Unknown disse...

Olá Adiana,

Tem que ter as rotinas...
O que nos faz deferente é
o que nos faz "especial".
Há momentos que os palavras
não passam de meros ruidos..i só!

até mais..

abçs

Lago.

Anônimo disse...

Cê é muito doida, quando diz que parou! ô parou porqeu, pra qUÊ, PAROU????êOLHA AÍ Õ

Rounds disse...

não será o último e o velho buk tem razão.

bj

Luciano Fraga disse...

Adriana querida, arrepiante e ainda mesclado com o velho safado do Buk, demais também as coincidências, há poucos dias escrvi e fiz um filmete com um poema de título parecido: O Sr R. tinha razão quando evadiu-se... Mas nem ele nem nós correremos, beijo sincero querida amiga.
Aguarde tá?

nina rizzi disse...

adriana, digo sem medo de errar e, juro, não é por vaidade, mas esse é dos teus melhores poemas, e sabe porquê? sim, o velho buk tinha razão... esse é um poema verdadeiro, minha cara, como diz a verdadeira bonetti ali em cima... um poema sem manhas, artificios e fórmulas de poeta. esa coisa que tem me repelido da rede.

mais? eu estava escrevendo sobre isso... eu não quero frases feitas, minha querida, eu quero é poesia!

ps: ontem foi dia de yemanjá, sim, no ceará é 15 de agosto... rsrsr... fui pra praia na madrugada... dri, foi lindo, eu dançando, eu girando, eu te pensando, e a gente ali. eu, as flores (e desta vez até perfume), vc e yemanjá.

beijos, linda :)

byTONHO disse...



Pô eta! Ficou DRImais!

Para com isso...
ou melhor,
NÃO para com isto!

Be:)os

Adriana Godoy disse...

A todos vocês que me trouxeram palavras tão expressivas, agradeço de coração.


A você, Ninuska, que tanto me inspira, apenas dizer que valeu. Valeu tudus. beijo

Renata de Aragão Lopes disse...

Diálogo entre duas
que merecem prosseguir!

Beijos,
Doce de Lira

Úrsula Avner disse...

Belo e intenso Adriana... Grande homenagem á Nina. A tela do Rafael é linda ! Bj com carinho.

Anônimo disse...

Que interessante, Andriana, quando li exatamente a mesma coisa no blog da Nina, também senti isso.

Mas aqui estamos nós, arriscando-nos, e ainda bem que continuaste, adorei teu poema!

Beijos.

A.S. disse...

Um belo poema... um diálogo fascinante de palavras num jogo poético delicioso!


BjO´ss
AL

danilo disse...

adriana,
leio esse seu poema tão bem colocado em sua naturalidade e fluidez de escrita que me provocou diversas reflexões sobre o ato de escrever- uma pergunta crucial, paradoxal e antiga- por que escrevemos? para que escrevemo0s? são perguntas sem respostas- na verdade a úncia resposta é a nossa
escrita colocada no papel, na tela do comjpujtador, nas paredes que4 os poetas anônimos pixam nas ruas, a poesia não escolahe lugar, nem hora, nem estilo, nem berço- ela chega sempre sorrateira e nos invade a alma- muito já se disse que sentimento não é poesia- que isto não é, aquilo é, ou seja, ninguém sabe o que é... só sabemos que ela chega furtiva, a inspiração,em qualquer momenjto, como uma amante noturna, como o visitante inesperado, e as palaavras se juntam, se fazem presença florte e nós, seus mensageiros, acabamos por "perpetrar" textos, às vezes em forma de versos, outras em forma de prosa, buscando ser inventivos, criativos, e ao mesmo tempo, portadorers de alguma "mensagem"9 se é que isso exista).
e assim vamos, meio que escravos da palavra- e da inspiração- essa musa indócil que não escolhe hora nem lugar-
por que4 escrevemos? para que? continuo não sabendo, embora escreva desde os meus 12, 14 anos( e lá se vão tempos). não por vaidade literária ou por qualquer
outra veleidade... não me interessam glórias, muito menos desse tipo... agora, sempre fico feliz quando um texto meu é lido, comentado pelos leitores, que o reescrevem continuamente, ao deixar seus comentários...
não sei se bukowsky tinha razão, assim também não sei se tantos outros poetas e3 escritores de oanytem e de hoje tiham razão, ou se eu e voc~e temos razão... mas isso não, imp-rta... nossa caneta, nosso lápis, nossos teclados e mouses, e nossos cérebros e corações não irão parar de derramar e amar as palavras- pois acho que isso é um vício, muito mais do que um ócio.
se temos leitores, que maravailha... se nãoa temos leitores, maravilha do mesmo jeito ver o texto pronto, traduzindo aquele nosso momento específico,aquela nossa visão de algo, como o por de sol, ou um grito no escuro, ou dos cães vadios na rua, ou e aprincipalmente do amor que move o mundo...
o resto,. bem, acho que é só blábláblá...

grande e afetuoso abraço, e sempre parabéns pelos seus textos- sempre tão bonaitos...
e também pelos desenhos que você posta junto- todos incríveis....

danilo disse...

adriana, depois de escrever esse texto, veio-me a "inspiraçã" essa que chega de repente- e os versos têm que ser paridos- senão dói...
dedico a você- e às suas reflexões sobre o faz\er poético:



..então escrever - como quem lapida pedras brutas
dando-lhes forma de gemas
como quem escavaca veios
em busca do ouro oculto
como quem escancara veias
e não estanca o sangue:
o flauir do poema.

...então, dar vazão
à voz libertária, qual soprano
de ontem, que entoa na madrugada
sua ária solitária
qual a´pedra do anel:
a rainha da noite,
rediviva, em sue agudos vocais
muito mais
do que sempre...

...então, escrever, como quem
sangra, como quem morre,
como quem empunha guitarras
e cospe rocks e blues alucinados
que nos fazem escravos
dessas belezas díspares
que não se dissipam
ficam
tatuagens
em nossa pele encardida...

...então, escrever poemas
que pingma, que gotejam,
suor e sentimentos:
não ter medos, não ter modos, não ser mudo
ante a vida:
escrever, e ser a via torta
o descaminho lúdico
o desatino lúcido
de quem sabe
do caos
e do cais...

danilo disse...

desculpe os erros de digitação...

Adriana Godoy disse...

Danilo, que palavras, meu amigo! Vc realmente tirou leite das pedras, tirou paixão das palavras. Não sei nem o que dizer diante desses versos, desse comentário tão bem elaborado e verdadeiro. Fico feliz que existam poetas como você e de ter o privilégio de poder ler seus textos poéticos, seus poemas...Obrigada de verdade. beijão.

nina rizzi disse...

hoje eu, vc, o buk, os ocos, os vendidos ao diabo: ellenizados.

beijos.

Anônimo disse...

Nice dispatch and this post helped me alot in my college assignement. Thank you for your information.

[ rod ] ® disse...

Infeliz de quem se delimita! A vida, a poesia e a classe é por horas uma morte anunciada.

Bjs moça.

Marcelo Novaes disse...

Dri Godoy,



Minha querida, todos nós dizemos [cada qual] duas ou três coisas. O quanto queremos/ precisamos dizer essas duas ou três é uma questão tão íntima, que ouso chamá-la de Poema-de-cada-um.


[Já que "prece individual" afasta quem onera pejorativamente a expressão...].




Belo poema, entre tantos outros belos poemas teus.




Um beijo!

Anita Mendes disse...

Então drika, me explica como vc consegue escrever sobre ausência poética preenchendo todo o espaço dessa tela virtual com ela? Epifanias melancólicas de Drika Godoy pra adoçar e contradizer o meu dia! Beijos amore...
Amo tudo isso aqui!

POBRE MEU BLOG disse...

Muito bom!!!

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Adriana,
Ouvi tua Voz lá em Nina e não pude deixar de vir conferir - verbos, verbos são - o que de mais houvesse aqui...
E vim pra ficar-me, fincar-me...

Abraço mineiro,
Pedro Ramúcio.

Vinícius Paes disse...

O velho Buk sempre tem razão!
Se for este teu último suspiro poético, fantástico. Pois ele resume todo o resto de sua Voz. Se for pra sair, bata a porta.

beijos.

guru martins disse...

...e não será mesmo
se continuar assim
vai virar poetisa


bj

pianistaboxeador21 disse...

Muito obrigado pelo comentário.

abração.

L. Rafael Nolli disse...

Em boa parte do poema me vi refletido, tudo pareceu direcionado a mim, são todas sensações comuns a minha pessoa, Adriana! Não sei se por eu passar por um bloqueio no momento, se por ser comum a quem escreve duvidar dessa coisa de "ser poeta"... Muito bom poder ler isso.
Bjs!

José Carlos Brandão disse...

Mas o tempo passa, Adriana.
O seu poema é envolvente, com sua dor, sua angústia suavizada pelas palavras deixadas como ao acaso.
Beijos.

Anônimo disse...

Leite bom, caro Danilo, "não ter medos, não ter modos, não ser mudo
ante a vida:
escrever, e ser a via torta
o descaminho lúdico
o desatino lúcido
de quem sabe
do caos
e do cais..."

AGod, pinga-me, seja feita sua vontade, por toda a eterninaidade.
Oba, oba, Charles!

"Essa capacidade de transformar o dia a dia em poesia, de pegar as bebedeiras triviais, as angústias adolescentes e transformá-las em arte era a mágica mais mirabolante de Charles Bukowski.

[Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.]
(Charles Bukowski)



http://www.papodebar.com/charles-bukowski-porres-e-poesias

Adriana, jamais prometi que água nunca mais vou transar.

sopro, vento, ventania disse...

Querida ADriana,
Sim, liguei de novo o computador pra te dar um bom dia, após longo e tenebroso período de inverno. E li seu comentário, exatamente na hora em que estava pensando em você. Sim, poesia é muito mais do que olhar aranhas na parede. Sim, poesia é aranha de mil pernas, que saltam e fazem saltar.
Lágrimas brotaram lendo seu poema, sempre brotam lágrimas (de emoção, de saudade, de alegria) quando leio o que você constrói com suas pernas de aranha-poeta, de mulher-aranha, que constrói teias que seduzem os que sonham e os que não sabem voar, ambos habitantes de meu-eu, de nós-zeus.
Estou adormecida, mas quando desperto é pra sorrir por ter a felicidade de ler teias como essas que você acabou de escrever.

Tal escrita,
tão linda, tão intensa,
tal pena do poeta que a escreve
tal poeta que dela se serve.

beijos, querida, e muitas saudades e muitos agradecimentos,

Cynthia

Anônimo disse...

Poesia-rede, teia, defesa e alimentação, ou "exagerado", poesia-cerca, fronteira, limite, é muito original.
Fiz um comentário, "nada original", à altura do SEU merecimento, mas deu "erro"; oh mundo cruel.

Devi clemente