quarta-feira, julho 28, 2010

prosa besta

bonecos do armatrux/arquivo de rafael godoy

nada do que disserem me deixará mais feliz
nem esse céu lindo nem sua foto no porta-retrato

só preciso de mais uma dia pra saber
que meu coração é outro
e nem sei das últimas notícias

só preciso de palavras certas
e coragem pra dizer essas coisas guardadas
que nem o travesseiro sabe

só preciso tirar esse peso do peito
e berrar que não é nada disso

que tenho os olhos agoniados
a geladeira vazia
e o sofá quebrado

mas que guardo ainda uma alegria pura
quando ouço os seus passos na escada

e você me mostra que a vida é simples
quando assiste a um jogo de futebol
e me beija na hora do gol

e dorme depois feito um anjo feliz
quando o seu time ganha

então esqueço dos mistérios e indagações
me deito ao seu lado
e meu coração volta a ser o mesmo


PS: Hoje tem um poema meu lá no Gato da Odete.

33 comentários:

Talita Prates disse...

um "Godoy" lindamente romântico!

gostei muito, Adriana!

um bjo de quem é fã,

Talita
História da minha alma

João A. Quadrado disse...

[acontecem nos dias, aquele dia em que um abraço pálido nos reconforta, uma sorriso quase baço, nos serve de abraço... há!]

um imenso abraço, Adriana

Leonardo B.

Ribeiro Pedreira disse...

o coração que se refaz é o mesmo que volta atrás.

Anônimo disse...

Quem não precisa de uma "prosa besta" como essa? ;)

Beijo doce.

Unknown disse...

DRI querida!

Até meu coração de pedra esqueceria mistérios!

Essa prosa é boa! Nos revigora!

Beijos

Mirze

Luciano Fraga disse...

Adriana, sempre magistral,"ah meu coração que não entende o compasso do meu pensamento, o pensamento se protege e o coração se entrega inteiro sem razão..." Prosa besta, que nada! Beijo.

Vem coisa por aí...Talvez !"sábado à tarde numa esquina"

tonholiveira disse...



Se é para ser feliz...
dele vida besta!

O que ilustra a "ação" também tá muito boa!

Beijos!

José Carlos Brandão disse...

Eta vida besta, meu Deus! - dizia Drummond, mas como é boa essa vidinha besta! Para que tantas elucubrações filosóficas? É bem melhor uma prosa besta.
Um beijo, Adriana.

Adriana Godoy disse...

Talita, romantismo tem sua vez. Valeu. beijo.


Leonardo, um outro abraço imenso.Beijo.Gosto quando vem.


Ribeiro, é mesmo por aí. Bj


Lara, "bestar" como dizem os baianos é bom demais. beijo.

Mirse, belas palavras. Valeu mesmo. beijo.


Luciano, o seu comentário é que não tem nada de besta! Adorei. Beijo.


Tonho, vc que é um visitante ilustre. Beijo.


JC, o Drummond tinha razão. Valeu. Beijo.

Adriana Godoy disse...

Marcos, o eu-lírico sempre encontra saídas...beijo

danilo disse...

adriana,
e não é que é assim? tantas indagações, tanta metafísica e filosofia vã, tanta conversa de experts, mas, no fundo, a vida é só isso aí: estarmos ali, ao lado de quem se ama, dando e recebendo afagos, apegos e arrochos: tão bom, tão lindo e tão leve, como esse seu poema: só que às vezes não é tão fácil alcançar aswsim esta simplicidaee: há caminhos tortosz entre nós e a singeleza- não é?
grande abraço, poeta do cotidiano, lindo9s seus poemas to0dos...
Danilo.

Vinícius Paes disse...

O memos coração que grita Gol! Morto ou vivo, ele grita gol a cada beijo. Adriana, eu quase morri, por falta de tuas palavras, mas estou voltando, estou volando faminto de teus fonemas. Um lindo poema que me embriagou de euforia.

Beijos.

Adriana Godoy disse...

Danilo, vc tem toda razão. Não é tão simples, mas há momentos que é possível. Lindas palavras. Beijo.


Paes, pô, valeu sua empolgação. Vc é que fez gol de placa com sua presença. Boas vindas! Beijão.

Anita Mendes disse...

Drika, e o que podemos quer mais da vida que um beijo do amado(complemento: numa tarde de domingo) quando o time dele ganha! Ahhhhhhhhhh! isso nao tem preco.
Beijos!!!
AMO!!!!

heroidevir disse...

É, foi o tempo quando lá estava tudo e nada aqui.
Lá estava todas as articulações
de luzes, vistas ao longe
e daqui, meros fogos de artifício.
Atras ou depois do mundo, a verdadeira tristeza ou alegria
e no mundo sempre só isso.
A música entrava pela janela e arrastava para a multidão
e o radinho surdo.
As flores da tela tão cheirosas saborosas até sem pétalas
e o jardim cimentado.
O cogumelo se fazia tão endeuzado
e em casa só um copo que cai.

Não há como não querer
nossa solução
para vasios
luminosos, não tão vasios
percorridos

"Ainda", AGod

Primeira Pessoa disse...

adriano,
o coração que é sempre o mesmo, num é não?
a partir daí fico matutanto se quem muda é o coração ou o proprietário do "imóvel"...


fica, então, uma baita confusão...

belo poema.

abração do
r.

Anônimo disse...

Tão puro, Adriana! Adorei.

Renata de Aragão Lopes disse...

"Prosa besta", que nada!
Prosa cotidiana,
a nos incitar
à simplicidade da vida...

Lindo, Dri!
E de uma lindeza particular.

Beijo,
Doce de Lira

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

E os mistérios pulsam e espreitam, a despeito da nossa humanidade... ;)

Anônimo disse...

Adriana,
até quando o poema é romântico, você é ferina e doce ao mesmo tempo. Pra mim não é uma prosoa besta, mas uma mulher se deixando levar pelo cotidiano efêmero e ao mesmo tempo misterioso e profundo.
Parabéns!
Mauro Lúcio de Paula

Luciano disse...

Absolutamente belo, Dri.
Gostei. E que graça, tb, os dois bonecos.
Bjk.

guru martins disse...

...assim!
é isso!
tudo pode ser
mais simples...

bj leve

Úrsula Avner disse...

Oi Adriana,

poema impecável Adriana...
seu jeito despojado e ao mesmo tempo engajado de escrever sobre as coisas cotidianas e simples me encanta... Bj.

Adriana Godoy disse...

Anita, é isso mesmo! beijo

R, Valeu a visita e o seu comentário, volte mais.

Marcio, pura é a sua emoção. Valeu!


Renata, delícia de comentário! Bj

Francisco, vc é um bom filósofo e poeta! Beijo


Mauro, amei suas considerações. Beijo


Luciano, adoro quando vc vem. Beijo

Guru, sei que vc gosta de finais felizes. Bj


Úrsula, sua avaliação do poema me encanta.

Adriana Godoy disse...

Devir, seus comentários sempre me deixam meio confusa, meio feliz. Senti sua falta. Beijo

[ rod ] ® disse...

Lembrou-me o Elie Wiesel que disse, tão sabiamente: "Depois de tudo o que já vivi, nada que me aconteça poderá me fazer muito feliz nem muito infeliz."

Um bj moça e obrigado.

Adriana Godoy disse...

Valeu, Rod! Beijo

heroidevir disse...

Fica parecendo que não gosto de elogio, e que prefiro, rss, ficar na picardia, mas se completar, para mim, com metade confusa e metade feliz, é maravilhoso, por que a confusão sempre é algo que nos convida para suplantar "o último passo da vida".
Obviamente que, conforme o tempo passa, cada passada fica mais pesada e perigosa. E a minha imagem do mais um último passo, "para pi(o)rar", não aponta o sentido! Acho que adoro deixar existir a liberdade em todas as intâncias. E, acho que pago caro por isso, liberdade total lembra muito a andorinha só, porque todos acreditam que o verão depende do bando; depois de um certo tempo de vida, as andorinhas aprendem que não importa "nada", todo ano haverá verão, rss.
O Rafael tem muito muito talento para ficar apenas no avesso do avesso do avesso... Há uma história bem maior passando!!!
Voce me FAZ feliz, e a confusão é a praxe da natureza, que a entendo melhor pelo nome de paradoxo.
Beijo é pouco.

Adriana Godoy disse...

Devir, quase não fiquei confusa...mas chega um ponto em que, inevitavelmente, ocorre a "confusão". Obrigada pela presença tão significativa e filosófica. Beijão

Marcelo Novaes disse...

Dri Godoy,



Essa é a beleza [simples?] cotidiana.





Um beijo.

Adriana Godoy disse...

Marcelo, suas palvras e visita fazem bem. Beijo

líria porto disse...

se o amor não servisse pra nada, já estaria cumprindo o papel de inspirar versos... risos
besos!

vou lá te ler no maria clara - parabéns pela antologia!

Rafael Castellar das Neves disse...

Palavras são tudo, né? As palavras em si, as formas com que são ditas e expressadas...fazem e destróem..

muito bom!

[]s