sobe as escadas com a língua pra fora, descendo a calça que não dá tempo de chegar ao banheiro. abre a porta da sala e vê que ela está lá vendo tevê com uma latinha de cerveja na mão e um ar de tédio. ele não diz nada, corre e consegue despejar no lugar quase certo sua podridão animal meio líquida. depois de algum tempo, vai até a cozinha, abre a geladeira e pega mais uma latinha.
"cê não disse que a gente ia ter uma noite romântica hoje?"
" quer coisa mais romântica do que chegar no banheiro a tempo?"
" porra! assim não dá! cê é um grosso mesmo! eu aqui esperando e cê entra desse jeito!"
"eu tenho culpa? será que você não entende? cê queria o quê? que eu fizesse aqui mesmo?"
" e eu aqui, toda produzida, depilada, perfumada, calcinha nova!" desperdício! devia dar pro primeiro que passasse!"
'faz isso mesmo! assim eu posso ver meu jogo de futebol sossegado"!
"grosso! grosso! vai te fuder!"
ela sai batendo a porta. ele olha da janela e não a vê mais.
no céu dessa noite, uma lua imensa, linda, amarela.
no jogo, o atacante do time dele perde o pênalti.






















