quinta-feira, junho 30, 2011

um poema para mim

Mais uma vez, o poeta Danilo de Abreu me presenteou com um poema porreta! Esse cara é bom mesmo. Sou sua fã. O título é: "depois do escuro". Pra conferir é só clicar aqui.

Beijos

terça-feira, junho 07, 2011

a noite sou eu




vivo a noite
sou a noite escura fria sedenta
se lua me encolho em sua sombra

se chuva me afogo em poesia

quando as luzes da cidade acendem
as pessoas nos bares ou voltando pra casa
saio em busca de meus pedaços jogados
nas esquinas e nos becos


sou os gatos

que rondam as mesas dos bares
em busca dos restos de comida
os bêbados em sua solidão mascarada
as putas atrás de seus homens perdidos

a noite sou eu a música
os ratos despercebidos e cinzas
os pássaros noturnos e silenciosos

a noite sou eu sem lua

quinta-feira, maio 26, 2011

I'm so tired





É claro que não foi do jeito que eu imaginava. Nem podia ser. Aquela hora em que as pessoas passam voltando para casa, a cidade gemendo buzinas e sirenes, a correria louca desatinada e você ali, sentado, tomando um café e pensando no que vai me dizer. Então eu chego e trago um sorriso meio tímido, meio assustado. Você acende um cigarro e joga a fumaça para o ar e me pergunta o que fazer. Falo sobre o trânsito, da casa velha que ficava perto do Arrudas e de contas a pagar. _Você já viu aquele filme? Ele responde que não e sussurra uma melodia dos Beatles: "I'm so tired".... Pergunto o que ele almoçou hoje e ele me ignora. Raspa a garganta e acende outro cigarro. Disparo na fala, insinuo ciúmes, imito a cena de um filme que vi algum dia. Peço um uísque com gelo. Ele diz que bebo demais, que é cedo pra começar. Não retruco, concordo em silêncio. Ele também pede um, sem gelo. Eu pego um embrulho, guardado na bolsa e entrego pra ele. Ele me olha com os olhos molhados, negros como a noite que chega. Não consigo ficar parada e peço mais um uísque, vou ao banheiro, molho o rosto na água fria e as lágrimas são quentes . Vejo quando estou voltando que a mesa está vazia. Tem um guardanapo e um trecho de " I"m so tired" , escrito com tinta azul: " I wonder should I get up and fix myself a drink?" Ele volta. O copo na mão. "I'd give you everything I've got for a little peace of mind". Vamos de mãos dadas para casa.

(texto republicado levemente alterado)

segunda-feira, maio 09, 2011

Hoje tem poema meu no poema dia

Queridos,

Quem quiser ler é só clicar aqui.
Vou gostar e muito!

Beijos.

quarta-feira, abril 27, 2011

cenas da terra

aquarela/ rafael godoy
a henrique bardo pimenta


ouvi os gritos de quem estava sendo engolido pela terra
e deles não tive pena

as casas continuavam brancas como fantasmas perdidos
e as crianças corriam loucas pelos passeios

uma mulher acabava de comer uma maçã vermelha e doce
e jogava as cascas para os pombos e abutres

uma velhinha empurrava com a bengala
as fezes dos pardais ensandecidos

o rio transbordava e jogava seus excrementos
contaminando o canal e as pessoas

um bando de velhos jogava cartas
nos bancos da praça abandonada

o poeta tentava achar a palavra que faltava
para completar seu poema de mil versos

os cães mastigavam uma carne transparente
não se sabia se era de gente ou de bicho

cavalos selvagens não corriam
apenas observavam o ritmo da natureza

a terra continuava a engolir os desvalidos e os afortunados
um homem lançava pedras no lago escuro

enquanto isso alguém tocava John Coltrane
e enfeitiçava a lua pálida

a terra parou e vomitou seus mistérios
e vomitou seus filhos seus bichos
sua decadência seus deuses sua arte

e finalmente adormeceu

(texto republicado)

segunda-feira, abril 25, 2011

hoje é aniversário dela

25/o4/2010


Hoje é o aniversário de minha mãe. 86 anos. E faz dois meses que ela está internada, se alimentando através de sonda, respirando pela máquina, sem falar, sem nunca mais falar. No entanto, seus olhos brilham e nos dizem coisas que não sabemos o que é, mas sentimos forte, muito forte.
Mamãe continua em um leito estranho de hospital e é aniversário dela. Não sei se sabe que hoje é seu dia. Talvez ela pense na família, na grande família em volta da mesa ou espalhada pela casa, os gritos das crianças, os netos, os bisnetos, a música, os risos, os abraços, o amor de cada um de seus filhos. Talvez sua festa seja em outro lugar...
Hoje é aniversário de minha mãe e não sei comemorar...não consigo comemorar. Só dizer do amor que tenho por ela pra sempre.

quarta-feira, abril 20, 2011

Tô lá no Maria Clara

Então, pra quem quiser conferir é só clicar AQUI.

Beijos

segunda-feira, abril 04, 2011

sai de mim

desenho/ rafael godoy

sai de mim coisa ruim
vai pra onde eu não te encontre mais
infeste outro corpo que não o meu
estou cansada
quem sabe outra goste
de seu mau agouro
invente outro mal
que esse já me basta
tire esses olhos de cão sem dono
e essa voz macia de minha pele
vai pra lá
onde o diabo consiga te carregar
porque eu não consigo mais

domingo, março 27, 2011

Na barca!

O queridíssimo poeta Leonardo B. dedicou um poema lindíssimo a mim.

Fiquei mais uma vez lisonjeada e comovida.


A manhã de domingo se tornou menos tensa, mais leve.


Pra conferir é só clicar aqui.


Beijos

quarta-feira, março 23, 2011

canto maldito

arte: rafael godoy

choro por você, ginsberg
e por todos os malditos que povoaram o mundo
seu uivo ainda é ouvido
e faz sangrar os ouvidos dos insensíveis
as américas clamam por poetas
que fazem rolar as pedras
mas há um abismo profundo tão profundo

os homens não sabem mais enxergar
têm medo das próprias almas
"se deixaram foder no rabo"
por dinheiro, poder e religião
e jogam aos cães as tripas de que se serviram
ensandecem a cada dia e continuam levando soldados
para morrerem por uma pátria que nunca existiu

não há mais volta, ginsberg
o mar invadiu as cidades
há o veneno invisível
que contamina o oriente
e deixa seu rastro pelo resto do planeta

a poesia se faz quase muda
os poetas querem uivar
mas a fumaça negra é maior

os poentes são de sangue poeira
o diabo anda solto e dança
sobre os mortos com suas mãos de sombras

choro por você, ginsberg
por todos os poetas
por todos desgraçados
pelos anjos perdidos sem asas
pelos solitários pelos bêbados
pelas putas pelos profetas
por mim

quinta-feira, março 17, 2011

por ela


quando ela me disse um dia
que eu dormisse com os anjos
e me abençoou todas as noites
quando ela me acudiu em momentos difíceis
e me confortou com sua presença

quando eu não tinha pra onde ir
e sabia que ela estava lá...

quando eu viajava e tinha sempre na volta
a certeza de seu abraço de seu amor
de seu sorriso

tudo parecia mais fácil
ela era um porto manso e doce

agora ela está num leito estranho de cti
cheia de tubos e soros
a máquina respira por ela
mas seus olhos ainda me olham
e me dizem que está tudo certo
embora ela não fale mais
e meu coração rasgado e pobre
ainda aprenda com ela

então, penso nos anjos
e se eles existem
que velem por ela
e lhe tragam a paz








quarta-feira, março 16, 2011

No Maria Clara

Pois é, fiquei um tempo sem postar lá, mas hoje tem um poema meu.

Pra conferir é só clicar aqui.

Beijo.


PS: Mamãe continua no CTI e fica tudo meio sem graça, meio triste.

quarta-feira, março 09, 2011

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Minha mãe está no CTI

Minha mãe está no CTI.
Está imersa num mundo cheio de luzes artificiais e aparelhos. Não respira direito. Não fala. Não come. Apenas responde com a mão e com a cabeça aos estímulos. Está fraca com os olhos fechados.
Não estou no CTI, mas vejo a luz do dia como se fosse noite. Também não respiro direito.Também não falo direito. Meus olhos também estão fechados.
Minha mãe está no CTI, eu perdida e com o coração partido.
Minha mãe está no CTI e eu não posso fazer nada.

PS: Minha mãe foi internada terça-feira, um dia depois do meu aniversário, com AVC.
Hoje o quadro dela piorou, evoluiu para pneumonia.
O que sei é que desejo que ela não sofra e o que tiver que acontecer que seja o melhor pra ela.
Seus oito filhos(me incluindo) estão como bezerros desgarrados e tristes.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Encontro Desmarcado


Toda vez que penso em ir a um médico me desespero. E hoje vou ter que ir. Não dá pra adiar o inevitável. O ano inteiro enrolo; marco, não vou, invento desculpas, qualquer uma. Mas hoje não escapo. Sou mulher, porra. Tenho que fazer aquele exame ginecológico. Esperar no consultório, ler aquelas revistas horríveis, ver mulheres entrando e saindo. Enquanto espero, imagino várias maneiras de fugir dali. Nesses devaneios, a secretária chama meu nome.Não, não, não!! Mas é tarde. Não tem mais jeito. Quando entro, a médica com todas aquelas perguntas a que não quero responder: Continua fumando, tá fazendo dieta? Parou de beber? Olha o colesterol!! Tá no limite! Precisa fazer reeducação alimentar, você está acima do peso.Tento contornar e digo que vou tentar, desta vez, vou conseguir. Então, ela diz: Pode pôr o avental e se deitar. Olho para a mesa, uma cama de tortura. Dois apoios para o pé, distantes, opostos. Preciso fazer alguma coisa, gritar, chamar alguém, mas desisto. O avental é aberto na frente. Tenho que abrir, literalmente, as pernas. Fico dura como um tronco. Travo. ! Em outras situações isso é natural! Mas não é o caso! Sinto algo frio entrando em meu ventre. Aquele instrumento gelado de metal, o gel, a barriga sendo apalpada, agora os seios examinados, tocados. Finalmente, ela diz: Pode se vestir. Corro pro banheiro, ponho a roupa o mais depressa que posso. Quero sair voando dali. Tenho um encontro com um amigo, em um boteco, ali perto. Mais tarde, quem sabe, vou ter que tirar a roupa de novo, em outra situação. Relembro a consulta. Talvez o encontro fique para outro dia.

PS: Texto republicado, mas amanhã tenho consulta. Argh!!

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Um presente de aniversário

Oi, gente, hoje completo mais um outono, ou verão ou inverno...

A Larinha, uma poeta de primeira, me dedicou um poema lindo.

Um presente de não se esquecer nunca. Amei e espero que gostem.

É só clicar aqui.


Beijos

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

amanheceram estrelas

composição/ ricardo ferrari

essa noite não aconteceu
nem a seguinte

amanheceram estrelas
a cama azul
o travesseiro na forma de sua insensatez
seu cheiro perdido nas fronhas

banho frio, cabelos lavados
casa clara, café
cigarro na área aberta
música, livros, tevê

a vida podia ser boa
sem você aqui
e era, e foi

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Olha o que o Danilo fez!!

O poeta Danilo de Abreu Lima fez uma homenagem especial pra mim. Fiquei toda envaidecida. O cara é um poeta dos mais porretas e não deixo de ler seu blog. Vale a pena conferir, modéstia à parte. É só clicar aqui. Beijo

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

ruínas de mim ou prosa quase sem sentido

foto coliseu/ arquivo pessoal

minha alma anda pesada
nuvem que não chove
presa nas ruínas do velho mundo

sou como uma gladiadora de mim
os leões me esperam famintos
os labirintos não indicam o caminho

procuro alegria
sim, um dia fui feliz
mas os porões estão mais escuros

minha juventude ficou perdida nas noites da cidade
e nos olhos intensamente brilhantes dos meus filhos

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

estou lá no poema dia

Pois é, quem quiser dar uma conferida é só clicar aqui. Beijo

segunda-feira, janeiro 31, 2011

ciao

foto tirada em pompéia/arquivo pessoal

entre esculturas e catedrais
vinhos davis e cardeais
encontrei a itália
e me desfiz dos trópicos
pelo menos por quinze dias
vi cidades esculpidas pelo vulcão
mortos petrificados em seus movimentos cotidianos
igrejas franciscos claras miguel ângelo e da vinci
papas e filósofos em seus túmulos de mármore
ruínas gigantes toscana veneza florença
e a torre torta em agonia
praças e lojas finas a fonte que não seca
até joguei uma moeda
gente bonita e azeite da melhor qualidade
a história presente jogada em sua cara
me dei conta do frio que faz
na alma e tudo mais
quando sua terra fica além-mar
mas quando pus o pé na terrinha
o calor e o bar da esquina
e falei com a língua que é minha
pude ter certeza mais uma vez
que aqui é o meu lugar


ps: em breve volto a visitar os blogs preferidos, por enquanto não dá. beijo

terça-feira, janeiro 04, 2011

uma pausa

chiquinha e tutuco(o gato branco)
Oi, gente!

Tô indo pra Itália e volto no fim do mês.

Obrigada a vocês que sempre comparecem aqui e fazem a diferença.
Isso faz a gente querer continuar e deixa a alma mais leve...

Um 2011 porreta pra todos!

Beijos

segunda-feira, dezembro 27, 2010

canto meio desesperado

arte:rafael godoy

me ensine a percorrer esses
caminhos sem sombras
me diz embora o dia nublado
e os homens cinzas
que a noite vem com estrelas

tenho as mãos secas de agonia
imploro para que preserve os meus olhos
esses ossos e o coração já vacilante
que a morte é certa mas não precisa ser agora

descobri que tenho me escondido em vão
e o meu grito se estende como uma estrada longa e sem volta

vejo em você o que não queria ver em mim
e me assusto sempre
então me mostre o que não sei
e deixe a marca de seu amor

me contamine
nesse dia
que essa febre não vai me matar
pelo menos hoje não

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Poema lá

Oi, gente!

Tem um poema meu" véspera" no Maria Clara. É só clicar aqui.

Muita alegria pra todos vocês.

Beijo

terça-feira, dezembro 21, 2010

grande deus



Penso num poema que lia, quando era pequena, de Casimiro de Abreu e que a professora obrigava a decorar:

Eu me lembro! Eu me lembro! - Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia,
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca espuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver maior que o oceano
Ou que seja mais forte do que o vento?

Minha mãe a sorrir, olhou pros céus
E respondeu: - Um ser que nós não vemos,
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão, meu filho, é Deus.


Então, talvez venha daí a minha associação do mar com deus. Ou o medo que tenho do mar é o mesmo que tinha de deus. E, até hoje, quando vejo o mar ou mergulho nele me vêm esses versos na memória e procuro pedir licença sempre para entrar em suas águas. Vejo o mar como um grande deus que guarda todos os segredos dos homens e do universo. E talvez seja a coisa que mais respeito, admiro e temo no mundo.

HOJE TEM UM POEMA MEU NO MARIA CLARA, É SÓ CLICAR AQUI.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

entre mim e a cidade

beagá

tenho em mim essa fera adormecida
e garras prontas para o ataque
o bicho bêbado e solitário

as luas que já vi ainda brilham nos meus olhos
e a neblina nunca me deixa
sinto o cheiro do mar que não existe
e farejo a noite sedenta

o vinho que tomei ontem ainda exala dos poros
a cidade iluminada de natal me afasta
não entro em shoppings e corro de papais noéis

mas a cidade é assim nessa época
e ainda bem que tem os bares
o pôr-do-sol
os amigos as esquinas
e os deuses anônimos das ruas


quinta-feira, dezembro 16, 2010

constatação 2

arte: rafael godoy

queria não ter esses olhos e nem essa pele
e essa alma perdida que se comove com o mundo

quarta-feira, dezembro 08, 2010

na pia espuma branca no poema dia

Ando quase sem tempo, não tenho conseguido visitar os blogs preferidos nem escrever como gostaria, mas daqui a pouco isso passa e volto ao "normal".

Quem quiser conferir, tem um poema meu no poema dia. É só clicar aqui.

Vou gostar muito da presença de vocês lá.

Beijos.

terça-feira, novembro 23, 2010

Noite na Guanabara no "maria clara" e a chuva entrou no "gato da odete".

Oi, pessoal. Tem um poema meu lá no Maria Clara.
Foi feito durante uma das últimas viagens que fiz ao Rio.
Talvez vocês gostem.
É só clicar aqui.
Beijos


Também estou lá no "gato da odete".


terça-feira, novembro 09, 2010