domingo, março 27, 2011
Na barca!
Fiquei mais uma vez lisonjeada e comovida.
A manhã de domingo se tornou menos tensa, mais leve.
Pra conferir é só clicar aqui.
Beijos
quarta-feira, março 23, 2011
canto maldito
choro por você, ginsberg
e por todos os malditos que povoaram o mundo
seu uivo ainda é ouvido
e faz sangrar os ouvidos dos insensíveis
as américas clamam por poetas
que fazem rolar as pedras
mas há um abismo profundo tão profundo
os homens não sabem mais enxergar
têm medo das próprias almas
"se deixaram foder no rabo"
por dinheiro, poder e religião
e jogam aos cães as tripas de que se serviram
ensandecem a cada dia e continuam levando soldados
para morrerem por uma pátria que nunca existiu
não há mais volta, ginsberg
o mar invadiu as cidades
há o veneno invisível
que contamina o oriente
e deixa seu rastro pelo resto do planeta
a poesia se faz quase muda
os poetas querem uivar
mas a fumaça negra é maior
os poentes são de sangue poeira
o diabo anda solto e dança
sobre os mortos com suas mãos de sombras
choro por você, ginsberg
por todos os poetas
por todos desgraçados
pelos anjos perdidos sem asas
pelos solitários pelos bêbados
pelas putas pelos profetas
por mim
quinta-feira, março 17, 2011
por ela

que eu dormisse com os anjos
e me abençoou todas as noites
quando ela me acudiu em momentos difíceis
e me confortou com sua presença
quando eu não tinha pra onde ir
e sabia que ela estava lá...
quando eu viajava e tinha sempre na volta
a certeza de seu abraço de seu amor
de seu sorriso
tudo parecia mais fácil
ela era um porto manso e doce
agora ela está num leito estranho de cti
cheia de tubos e soros
a máquina respira por ela
mas seus olhos ainda me olham
e me dizem que está tudo certo
embora ela não fale mais
e meu coração rasgado e pobre
ainda aprenda com ela
então, penso nos anjos
e se eles existem
que velem por ela
e lhe tragam a paz
quarta-feira, março 16, 2011
No Maria Clara
Pra conferir é só clicar aqui.
Beijo.
PS: Mamãe continua no CTI e fica tudo meio sem graça, meio triste.
quarta-feira, março 09, 2011
sexta-feira, fevereiro 25, 2011
Minha mãe está no CTI
Está imersa num mundo cheio de luzes artificiais e aparelhos. Não respira direito. Não fala. Não come. Apenas responde com a mão e com a cabeça aos estímulos. Está fraca com os olhos fechados.
Não estou no CTI, mas vejo a luz do dia como se fosse noite. Também não respiro direito.Também não falo direito. Meus olhos também estão fechados.
Minha mãe está no CTI, eu perdida e com o coração partido.
Minha mãe está no CTI e eu não posso fazer nada.
PS: Minha mãe foi internada terça-feira, um dia depois do meu aniversário, com AVC.
Hoje o quadro dela piorou, evoluiu para pneumonia.
O que sei é que desejo que ela não sofra e o que tiver que acontecer que seja o melhor pra ela.
Seus oito filhos(me incluindo) estão como bezerros desgarrados e tristes.
terça-feira, fevereiro 22, 2011
Encontro Desmarcado

PS: Texto republicado, mas amanhã tenho consulta. Argh!!
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
Um presente de aniversário
A Larinha, uma poeta de primeira, me dedicou um poema lindo.
Um presente de não se esquecer nunca. Amei e espero que gostem.
É só clicar aqui.
Beijos
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
amanheceram estrelas
essa noite não aconteceu
nem a seguinte
amanheceram estrelas
a cama azul
o travesseiro na forma de sua insensatez
seu cheiro perdido nas fronhas
banho frio, cabelos lavados
casa clara, café
cigarro na área aberta
música, livros, tevê
a vida podia ser boa
sem você aqui
e era, e foi
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
Olha o que o Danilo fez!!
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
ruínas de mim ou prosa quase sem sentido
nuvem que não chove
presa nas ruínas do velho mundo
sou como uma gladiadora de mim
os leões me esperam famintos
os labirintos não indicam o caminho
procuro alegria
sim, um dia fui feliz
mas os porões estão mais escuros
minha juventude ficou perdida nas noites da cidade
e nos olhos intensamente brilhantes dos meus filhos
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
segunda-feira, janeiro 31, 2011
ciao
entre esculturas e catedrais
vinhos davis e cardeais
encontrei a itália
e me desfiz dos trópicos
pelo menos por quinze dias
vi cidades esculpidas pelo vulcão
mortos petrificados em seus movimentos cotidianos
igrejas franciscos claras miguel ângelo e da vinci
papas e filósofos em seus túmulos de mármore
ruínas gigantes toscana veneza florença
e a torre torta em agonia
praças e lojas finas a fonte que não seca
até joguei uma moeda
gente bonita e azeite da melhor qualidade
a história presente jogada em sua cara
me dei conta do frio que faz
na alma e tudo mais
quando sua terra fica além-mar
mas quando pus o pé na terrinha
o calor e o bar da esquina
e falei com a língua que é minha
pude ter certeza mais uma vez
que aqui é o meu lugar
terça-feira, janeiro 04, 2011
uma pausa
Tô indo pra Itália e volto no fim do mês.
Obrigada a vocês que sempre comparecem aqui e fazem a diferença.
Isso faz a gente querer continuar e deixa a alma mais leve...
Um 2011 porreta pra todos!
Beijos
segunda-feira, dezembro 27, 2010
canto meio desesperado
me ensine a percorrer esses
caminhos sem sombras
me diz embora o dia nublado
e os homens cinzas
que a noite vem com estrelas
tenho as mãos secas de agonia
imploro para que preserve os meus olhos
esses ossos e o coração já vacilante
que a morte é certa mas não precisa ser agora
descobri que tenho me escondido em vão
e o meu grito se estende como uma estrada longa e sem volta
vejo em você o que não queria ver em mim
e me assusto sempre
então me mostre o que não sei
e deixe a marca de seu amor
me contamine
nesse dia
que essa febre não vai me matar
pelo menos hoje não
quarta-feira, dezembro 22, 2010
terça-feira, dezembro 21, 2010
grande deus

Penso num poema que lia, quando era pequena, de Casimiro de Abreu e que a professora obrigava a decorar:
Eu me lembro! Eu me lembro! - Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia,
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca espuma para o céu sereno.
E eu disse a minha mãe nesse momento:
Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver maior que o oceano
Ou que seja mais forte do que o vento?
Minha mãe a sorrir, olhou pros céus
E respondeu: - Um ser que nós não vemos,
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão, meu filho, é Deus.
Então, talvez venha daí a minha associação do mar com deus. Ou o medo que tenho do mar é o mesmo que tinha de deus. E, até hoje, quando vejo o mar ou mergulho nele me vêm esses versos na memória e procuro pedir licença sempre para entrar em suas águas. Vejo o mar como um grande deus que guarda todos os segredos dos homens e do universo. E talvez seja a coisa que mais respeito, admiro e temo no mundo.
HOJE TEM UM POEMA MEU NO MARIA CLARA, É SÓ CLICAR AQUI.
sexta-feira, dezembro 17, 2010
entre mim e a cidade
e garras prontas para o ataque
o bicho bêbado e solitário
as luas que já vi ainda brilham nos meus olhos
e a neblina nunca me deixa
sinto o cheiro do mar que não existe
e farejo a noite sedenta
o vinho que tomei ontem ainda exala dos poros
a cidade iluminada de natal me afasta
não entro em shoppings e corro de papais noéis
mas a cidade é assim nessa época
e ainda bem que tem os bares
o pôr-do-sol
os amigos as esquinas
e os deuses anônimos das ruas
quinta-feira, dezembro 16, 2010
constatação 2
queria não ter esses olhos e nem essa pele
e essa alma perdida que se comove com o mundo
quarta-feira, dezembro 08, 2010
na pia espuma branca no poema dia
Quem quiser conferir, tem um poema meu no poema dia. É só clicar aqui.
Vou gostar muito da presença de vocês lá.
Beijos.
terça-feira, novembro 23, 2010
Noite na Guanabara no "maria clara" e a chuva entrou no "gato da odete".
Foi feito durante uma das últimas viagens que fiz ao Rio.
Talvez vocês gostem.
É só clicar aqui.
Beijos
Também estou lá no "gato da odete".
terça-feira, novembro 09, 2010
terça-feira, novembro 02, 2010
desde que você me disse que não acreditava em discos voadores
mesmo quando te contei que vi um enorme pairando sobre a minha varanda
fiquei pensando no que você acreditava
além desse medo católico e evangélico
de ser condenado ao inferno
não precisa disso, cara
você já está condenado ao inferno de viver
nesse cartesianismo barato regado a um deus que julga e condena
está condenado a acordar cedo todas as manhãs e trabalhar feito mártir
e esperar desesperadamente o final de semana para encher a cara
e poder falar as merdas que você fala e se achar o senhor da verdade
de entrar em seu carro de luxo e me convidar para desfrutar de sua companhia
talvez em um motel
e com seu perfume francês arrotar canalhices
não, cara
não quero mais ficar a seu lado
mesmo que suas mãos saibam os caminhos que me levam ao paraíso
quero ficar aqui com meus discos voadores e poesia
tomar vinho com amigos e escutar música de verdade
e não ficar ouvindo esses sertanejos de merda
que ficam nos cedês espalhados em seu carro
não vou te aceitar mais, cara
mesmo que sinta falta de seu beijo
na minha vida não cabe mais você
quarta-feira, outubro 27, 2010
Lançamento do livro: quem foi gostou!
Pessoal, o lançamento do livro foi um sucesso. Embora a chuva forte, um toró, que caiu bem na hora, o lugar ficou cheio. Muitos comes, bebes, amigos, familiares, conhecidos e desconhecidos. Muitos livros foram comprados, muita alegria no ar. Fiquei meio assustada com os autógrafos que tive que distribuir, mas no fim deu tudo certo. Lógico que tive que me apoiar na velha e boa companheira, a cerveja, e em alguns amigos pra tirar um pouco a minha timidez e ansiedade.
Um amigo meu, escritor mineiro, Jaime Prado Gouvêa, vencedor do Prêmio Jabuti, com o livro "Fichas de Vitrola" e ganhador de vários outros prêmios, me deu a honra de sua presença. Autografar para ele, um cara fera, foi um momento especialíssimo pra mim.
O Henrique Godoy, meu irmão, é que organizou tudo ou quase tudo, e agradeço a ele tanto empenho e carinho. No meio da música, ele recitou alguns poemas meus e da Úrsula, foi muito legal. O Lumumba, com sua voz de baixo, cantou divinamente. Um show! Outros tantos, entre irmãos e amigos contribuíram para essa noite ser inesquecível.
O violão porretíssimo do Daniel, meu irmão, um artista de primeira (não é pra puxar saco) só parou quando a festa acabou.
Finalmente pude conhecer uma das autoras, a Úrsula, um encanto. E não é que ela cantou e lindamente com meu irmão Daniel no violão?
Pois é, teve isso e muito mais. Quem foi gostou, podem acreditar. Valeu a pena!
PS: Por enquanto é isso, as fotos ainda não foram enviadas. Mas prometo que quando chegarem vou postar aqui.
Um beijo pra todos e, especialmente, para as autoras que fazem parte do livro.
quinta-feira, outubro 21, 2010
universo não necessariamente feminino.
Pra conferir é só clicar aqui.
Beijos.
terça-feira, outubro 19, 2010
quarta-feira, outubro 13, 2010
subterrâneos
os subterrâneos revelam outra cidade
ratos e gente disputam o mesmo espaço
as águas são podres e fedem debaixo do asfalto
carros passam em cima
pessoas vão ao cinema e ao teatro
não olham para baixo
mastigam chicletes e as roupas são de boutique
discutem beckett e o prêmio nobel de literatura
enquanto outros procuram o nosso lar que nunca está aqui
mas em um céu imaginário e monótono
cospem seus pecados e medos
os seres debaixo do asfalto podem atacar
suas sombras assustam
a fumaça é de crack e de dor
os prédios são altos e inatingíveis
há uma cidade que grita apesar do pôr-do-sol
há uma cidade que dorme apesar dos subterrâneos que nunca dormem
sábado, outubro 09, 2010
hoje tem no poema dia
Hoje tem um poema meu no poema dia. Se quiserem conferir é só clicar aqui.
Beijos e bom feriado.
sábado, setembro 25, 2010
na praça
(texto republicado)
sexta-feira, setembro 17, 2010
filhos na noite
irmãos na noite espalhados
na casa da velha mãe
hoje não é festa, não é aniversário
e surge a pergunta mortal
quem vai ficar com ela?
como se ela não pensasse
como se ela fosse a carga mais pesada
a mãe poderosa infalível
mas memória falha
mergulha nas suas sombras
nos seus medos e sofre
por que meus filhos estão aqui?
queria afagá-los
queria carregá-los no colo
queria alimentá-los e enchê-los de alegria
os filhos como morcegos agitados
começam a se debater
quem vai ficar com ela, a mãe?
uns esbarram as asas frágeis nos outros
uns tentam perfurar o coração dos outros
uns se acham insubstituíveis
são líderes, poderosos, ou mais sábios
outros apenas ouvem calados o que se fala
e no fundo do corredor, em seu quarto,
a mãe adormece, preocupada com suas crias
o cansaço da vida faz doer o seu corpo
as suas pernas são quase inúteis
e no seu peito o coração metálico
marca os seus passos dia a dia
e nessa noite ela sonha
sonha com a família em volta da mesa
as conversas intermináveis,
os risos, as piadas, as brigas, a comilança
seus filhos não cresceram tanto
e o seu velho companheiro ainda esta lá
nessa noite, ela sonha
os morcegos, suas crias, levantam voo
cada um com a sua culpa, cada um com o seu pecado
imaginam que poderiam cantar uma canção
que embalasse o sono de sua mãe
essa mulher que tanto amam
que guarda tantos segredos
mas não sabem como
e choram
suas asas pesam
como se carregassem a humanidade inteira
como se já estivessem definitivamente
presos em suas cavernas mais escuras
(texto republicado)












