segunda-feira, dezembro 27, 2010

canto meio desesperado

arte:rafael godoy

me ensine a percorrer esses
caminhos sem sombras
me diz embora o dia nublado
e os homens cinzas
que a noite vem com estrelas

tenho as mãos secas de agonia
imploro para que preserve os meus olhos
esses ossos e o coração já vacilante
que a morte é certa mas não precisa ser agora

descobri que tenho me escondido em vão
e o meu grito se estende como uma estrada longa e sem volta

vejo em você o que não queria ver em mim
e me assusto sempre
então me mostre o que não sei
e deixe a marca de seu amor

me contamine
nesse dia
que essa febre não vai me matar
pelo menos hoje não

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Poema lá

Oi, gente!

Tem um poema meu" véspera" no Maria Clara. É só clicar aqui.

Muita alegria pra todos vocês.

Beijo

terça-feira, dezembro 21, 2010

grande deus



Penso num poema que lia, quando era pequena, de Casimiro de Abreu e que a professora obrigava a decorar:

Eu me lembro! Eu me lembro! - Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia,
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca espuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver maior que o oceano
Ou que seja mais forte do que o vento?

Minha mãe a sorrir, olhou pros céus
E respondeu: - Um ser que nós não vemos,
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão, meu filho, é Deus.


Então, talvez venha daí a minha associação do mar com deus. Ou o medo que tenho do mar é o mesmo que tinha de deus. E, até hoje, quando vejo o mar ou mergulho nele me vêm esses versos na memória e procuro pedir licença sempre para entrar em suas águas. Vejo o mar como um grande deus que guarda todos os segredos dos homens e do universo. E talvez seja a coisa que mais respeito, admiro e temo no mundo.

HOJE TEM UM POEMA MEU NO MARIA CLARA, É SÓ CLICAR AQUI.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

entre mim e a cidade

beagá

tenho em mim essa fera adormecida
e garras prontas para o ataque
o bicho bêbado e solitário

as luas que já vi ainda brilham nos meus olhos
e a neblina nunca me deixa
sinto o cheiro do mar que não existe
e farejo a noite sedenta

o vinho que tomei ontem ainda exala dos poros
a cidade iluminada de natal me afasta
não entro em shoppings e corro de papais noéis

mas a cidade é assim nessa época
e ainda bem que tem os bares
o pôr-do-sol
os amigos as esquinas
e os deuses anônimos das ruas


quinta-feira, dezembro 16, 2010

constatação 2

arte: rafael godoy

queria não ter esses olhos e nem essa pele
e essa alma perdida que se comove com o mundo

quarta-feira, dezembro 08, 2010

na pia espuma branca no poema dia

Ando quase sem tempo, não tenho conseguido visitar os blogs preferidos nem escrever como gostaria, mas daqui a pouco isso passa e volto ao "normal".

Quem quiser conferir, tem um poema meu no poema dia. É só clicar aqui.

Vou gostar muito da presença de vocês lá.

Beijos.

terça-feira, novembro 23, 2010

Noite na Guanabara no "maria clara" e a chuva entrou no "gato da odete".

Oi, pessoal. Tem um poema meu lá no Maria Clara.
Foi feito durante uma das últimas viagens que fiz ao Rio.
Talvez vocês gostem.
É só clicar aqui.
Beijos


Também estou lá no "gato da odete".


terça-feira, novembro 09, 2010

terça-feira, novembro 02, 2010

desde que você me disse que não acreditava em discos voadores

arte: rafael godoy

desde que você me disse que não acreditava em discos voadores
mesmo quando te contei que vi um enorme pairando sobre a minha varanda
fiquei pensando no que você acreditava
além desse medo católico e evangélico
de ser condenado ao inferno
não precisa disso, cara
você já está condenado ao inferno de viver
nesse cartesianismo barato regado a um deus que julga e condena
está condenado a acordar cedo todas as manhãs e trabalhar feito mártir
e esperar desesperadamente o final de semana para encher a cara
e poder falar as merdas que você fala e se achar o senhor da verdade
de entrar em seu carro de luxo e me convidar para desfrutar de sua companhia
talvez em um motel
e com seu perfume francês arrotar canalhices
não, cara
não quero mais ficar a seu lado
mesmo que suas mãos saibam os caminhos que me levam ao paraíso
quero ficar aqui com meus discos voadores e poesia
tomar vinho com amigos e escutar música de verdade
e não ficar ouvindo esses sertanejos de merda
que ficam nos cedês espalhados em seu carro
não vou te aceitar mais, cara
mesmo que sinta falta de seu beijo
na minha vida não cabe mais você


quarta-feira, outubro 27, 2010

Lançamento do livro: quem foi gostou!

foto que "roubei" da Úrsula

Pessoal, o lançamento do livro foi um sucesso. Embora a chuva forte, um toró, que caiu bem na hora, o lugar ficou cheio. Muitos comes, bebes, amigos, familiares, conhecidos e desconhecidos. Muitos livros foram comprados, muita alegria no ar. Fiquei meio assustada com os autógrafos que tive que distribuir, mas no fim deu tudo certo. Lógico que tive que me apoiar na velha e boa companheira, a cerveja, e em alguns amigos pra tirar um pouco a minha timidez e ansiedade.

Um amigo meu, escritor mineiro, Jaime Prado Gouvêa, vencedor do Prêmio Jabuti, com o livro "Fichas de Vitrola" e ganhador de vários outros prêmios, me deu a honra de sua presença. Autografar para ele, um cara fera, foi um momento especialíssimo pra mim.

O Henrique Godoy, meu irmão, é que organizou tudo ou quase tudo, e agradeço a ele tanto empenho e carinho. No meio da música, ele recitou alguns poemas meus e da Úrsula, foi muito legal. O Lumumba, com sua voz de baixo, cantou divinamente. Um show! Outros tantos, entre irmãos e amigos contribuíram para essa noite ser inesquecível.

O violão porretíssimo do Daniel, meu irmão, um artista de primeira (não é pra puxar saco) só parou quando a festa acabou.

Finalmente pude conhecer uma das autoras, a Úrsula, um encanto. E não é que ela cantou e lindamente com meu irmão Daniel no violão?

Pois é, teve isso e muito mais. Quem foi gostou, podem acreditar. Valeu a pena!

PS: Por enquanto é isso, as fotos ainda não foram enviadas. Mas prometo que quando chegarem vou postar aqui.

Um beijo pra todos e, especialmente, para as autoras que fazem parte do livro.

quinta-feira, outubro 21, 2010

universo não necessariamente feminino.

J. Universo divulga o livro e alguns poemas meus em seu blog.
Pra conferir é só clicar aqui.
Beijos.

quarta-feira, outubro 13, 2010

subterrâneos

desenho : fonte google

a bruno bandido

os subterrâneos revelam outra cidade
ratos e gente disputam o mesmo espaço
as águas são podres e fedem debaixo do asfalto
carros passam em cima
pessoas vão ao cinema e ao teatro
não olham para baixo
mastigam chicletes e as roupas são de boutique
discutem beckett e o prêmio nobel de literatura
enquanto outros procuram o nosso lar que nunca está aqui
mas em um céu imaginário e monótono
cospem seus pecados e medos
os seres debaixo do asfalto podem atacar
suas sombras assustam
a fumaça é de crack e de dor
os prédios são altos e inatingíveis
há uma cidade que grita apesar do pôr-do-sol
há uma cidade que dorme apesar dos subterrâneos que nunca dormem


sábado, outubro 09, 2010

hoje tem no poema dia



Hoje tem um poema meu no poema dia. Se quiserem conferir é só clicar aqui.

Beijos e bom feriado.

sábado, setembro 25, 2010

na praça

desenho: rafael godoy

no caos de minha cidade às seis da tarde não tinha mais nenhum pardal. nem que eu olhasse todos os fios, todas as eiras e beiras e procurasse no meio da praça não tinha nenhum pardal e fiquei perdida olhando para aquilo tudo. passou um cara pedindo pra engraxar meus sapatos e eu estava descalça porque fazia calor demais e a primavera tinha começado. mas ele insistiu e eu disse: hoje não dá, cara! então dei umas moedas pra ele e falei que o fim de tarde estava estranhamente belo, mesmo sem os pardais. o cara me abriu um sorriso dos mais lindos que já vi, saiu rápido e trouxe algumas latas de cerveja gelada e ficamos conversando sobre a cidade e o pôr- do-sol. os pardais foram chegando um a um e ficaram ali como se entendessem nossas palavras e como se pressentissem essa possível e intensa primavera.

(texto republicado)

sexta-feira, setembro 17, 2010

filhos na noite

imagem: google

irmãos na noite espalhados
na casa da velha mãe
hoje não é festa, não é aniversário
e surge a pergunta mortal
quem vai ficar com ela?

como se ela não pensasse
como se ela fosse a carga mais pesada

a mãe poderosa infalível
mas memória falha
mergulha nas suas sombras
nos seus medos e sofre

por que meus filhos estão aqui?
queria afagá-los
queria carregá-los no colo
queria alimentá-los e enchê-los de alegria

os filhos como morcegos agitados
começam a se debater
quem vai ficar com ela, a mãe?

uns esbarram as asas frágeis nos outros
uns tentam perfurar o coração dos outros
uns se acham insubstituíveis
são líderes, poderosos, ou mais sábios
outros apenas ouvem calados o que se fala

e no fundo do corredor, em seu quarto,
a mãe adormece, preocupada com suas crias

o cansaço da vida faz doer o seu corpo
as suas pernas são quase inúteis
e no seu peito o coração metálico
marca os seus passos dia a dia

e nessa noite ela sonha
sonha com a família em volta da mesa
as conversas intermináveis,
os risos, as piadas, as brigas, a comilança
seus filhos não cresceram tanto
e o seu velho companheiro ainda esta lá

nessa noite, ela sonha

os morcegos, suas crias, levantam voo
cada um com a sua culpa, cada um com o seu pecado

imaginam que poderiam cantar uma canção
que embalasse o sono de sua mãe
essa mulher que tanto amam
que guarda tantos segredos

mas não sabem como
e choram

suas asas pesam
como se carregassem a humanidade inteira
como se já estivessem definitivamente
presos em suas cavernas mais escuras

(texto republicado)

quinta-feira, setembro 09, 2010

vida de cachorro no poema dia

É só ir lá e conferir. Para isso é só clicar aqui. Beijos

quinta-feira, setembro 02, 2010

Um vídeo de Luciano Fraga sobre meu texto e um poema de Nina Rizzi pra mim

Oi, gente, uma grata e bela surpresa: O Luciano Fraga fez um belo vídeo com meu texto: "sábado à tarde numa esquina". Ficou muito legal. Pra conferir é só clicar aqui .

A Nina Rizzi também fez um poema pra mim sobre esse texto e vale a pena conferir em seu blog ellenismos.

Beijão.

domingo, agosto 15, 2010

talvez o último poema ou o velho buk tinha razão

gato preto/ rafael godoy
para nina rizzi

não eu não respiro poesia nem vivo por ela
não me sinto poeta nem outra coisa que o valha
vivo na rotina dos dias incansáveis
e às vezes fecho a janela para não ver a manhã
sou como tantas
talvez um pouco mais triste
e quando menos espero
sinto que as palavras vêm
e tenho que escrevê-las

mas isso não é poesia nem ser poeta
é tirar do café que tomo um gosto diferente
é olhar os carros na rua e pensar em poentes

e quando li nina hoje
me deu a sensação de que as palavras não viriam nunca mais
e olhar uma aranha na parede vai ser olhar uma aranha na parede
e nada mais

talvez esse não seja meu último poema
mas o velho buk sabia:

"se você está morto
você podia também ser enterrado
e jogar fora a máquina de escrever
e parar de se enganar com
poemas cavalos mulheres a vida:
você está entulhando a saída- portanto saia logo
e desista das
poucas preciosas
páginas."

(escrito a partir da leitura de nina rizzi in: ellenismos)

quinta-feira, agosto 05, 2010

Hoje tem no Maria Clara!

Oi, gente, tem um poema meu no Maria Clara.
Se quiserem conferir é só clicar aqui. Beijão

quarta-feira, julho 28, 2010

prosa besta

bonecos do armatrux/arquivo de rafael godoy

nada do que disserem me deixará mais feliz
nem esse céu lindo nem sua foto no porta-retrato

só preciso de mais uma dia pra saber
que meu coração é outro
e nem sei das últimas notícias

só preciso de palavras certas
e coragem pra dizer essas coisas guardadas
que nem o travesseiro sabe

só preciso tirar esse peso do peito
e berrar que não é nada disso

que tenho os olhos agoniados
a geladeira vazia
e o sofá quebrado

mas que guardo ainda uma alegria pura
quando ouço os seus passos na escada

e você me mostra que a vida é simples
quando assiste a um jogo de futebol
e me beija na hora do gol

e dorme depois feito um anjo feliz
quando o seu time ganha

então esqueço dos mistérios e indagações
me deito ao seu lado
e meu coração volta a ser o mesmo


PS: Hoje tem um poema meu lá no Gato da Odete.

terça-feira, julho 13, 2010

vejo-o fazendo café

estudo para tela/mulher/ rafael godoy


trago a vida entalhada em contas papéis livros
lembro quando via sessão da tarde e a tarde não passava nunca
hoje as tardes passam e não vejo
a noite vem como o dia
a noite é a mesma
mesmo quando você vem e diz que me ama
então olho o homem que atravessa a rua
e está com flores na mão
o livro que li há dez anos
vai ser o mesmo se o ler hoje?
vejo-o fazendo café
e a minha angústia costurada em seu pijama
e a vontade desesperada de fugir



sexta-feira, julho 09, 2010

Tem poema meu no poema dia!

Oi, às vezes é chato não ter poemas inéditos, mas quem quiser conferir um que não seja, vai lá no poema dia. Gosto muito desse, especialmente, e vou gostar mais ainda da presença de vocês lá. Para isso é só clicar aqui. Beijos.

quarta-feira, julho 07, 2010

Hoje tem mim lá!

Mais uma vez, tem um poema meu (não é inédito) lá no Maria Clara. Se quiser reler ou conhecer é só clicar aqui. Vou gostar muito. Beijos.

quarta-feira, junho 30, 2010

sábado à tarde numa esquina

desenho de carcarah

foi bom te ver com esses olhos que já me olharam na esquina onde eu às vezes tomava cerveja. você estava mais velho e mais triste e brincava com um cachorro que ficava por ali. tinha ainda um jeito de menino. fiquei te olhando como um filme, querendo dizer alguma coisa. você me viu esquecida de mim. falou algo sobre os dias lindos de inverno. depois veio o silêncio e o pôr-do-sol, a rua, o movimento repentino, o asfalto negro e novo, os prédios acesos, o céu escuro, vazio de estrelas. eu estava na esquina no sábado à tarde e vi seus olhos de novo. agora é noite, agora só a fumaça dos carros, e te vejo como um deus inacessível e estranho.

terça-feira, junho 15, 2010

lá no gato...

Hoje é a minha estreia no blog " O Gato da Odete". Fui convidada já há algum tempo, mas só hoje postei lá. Não é inédito o texto, mas se quiser conferir é só clicar aqui. Beijos.

terça-feira, junho 08, 2010

doce caminho

rascunho em folha de caderno/ guache/ rafael godoy

queria não ter essa cara amassada
esses olhos cansados
e o coração estranho

queria ser o que não fui
mas sou o passado
com o corpo podre e gasto

mas gosto de abrir a janela
e ver essas manhãs frias de junho
me batendo nos cabelos

ainda posso ouvir os stones
dylan joplin tom e chico no sofá de casa
fumar o meu cigarro sem grilhões
e beber meu vinho sossegadamente

parece que o caminho para a morte
pode ser mais doce em dias como esses





segunda-feira, maio 31, 2010

sonhos

gravura em metal /rafael godoy

joguei em você
todos os meus sonhos
fiquei vazia de mim


domingo, maio 23, 2010

Assim que der tempo...

Meus queridos,

Está muito difícil esses dias arrumar um tempo para atualizar minhas leituras. Estou em em trabalho puxado, revisando três livros. E, quando tenho tempo, preciso ficar longe do computador, tenho que descansar os olhos. Assim que passar esse período, volto pra meus blogueiros favoritos. É isso, gente. Não é desatenção, é necessidade mesmo! Beijos.

quinta-feira, maio 13, 2010

Mais um no Maria Clara

Pessoal, hoje tem "mim" no Maria Clara.
Pra conferir é só clicar aqui.
E quem ainda não leu e quiser ler, tem esse poeminha("sua presença") aí embaixo.
Beijos.