segunda-feira, dezembro 28, 2009
Voz
ecoa em mim
a voz do meu coração
estranha voz
aguda e rouca
úmida e serena
voz de sonhar e gritar
todas as palavras
tudo que esteve contido
nas cavernas mais distantes
e silenciosas de mim
( poeminha que deu nome ao meu blog)
Meu blog tava com problemas. Não conseguia acessá-lo nem o blog de muitos. Só agora consegui. Amanhã vou viajar e não sei quando volto. Encerro então por esse ano com a notícia feliz de que Mário Bortolotto teve alta. Isso é uma grande notícia! Dá pra fechar o ano mais feliz.
A todos vocês que sempre passam por aqui só posso agradecer e desejar um 2010 mais doce e com mais paz. Quando voltar atualizo minhas leituras. Vou ficar com saudades. Beijos.
segunda-feira, dezembro 21, 2009
Recado ao Noel
PS: cê vai trazer presentes? Pra mim? Então me manda os anos 70 de volta e algumas pessoas que ainda tavam lá. Depois a gente conversa.
Com esse texto do Guga Shultze me despeço de vocês, volto em janeiro. 2010 está aí e que ele seja bem melhor que o 9. Agradeço a todos que marcaram presença em meu blog e que fizeram e fazem a diferença. Beijos.
quinta-feira, dezembro 17, 2009
véspera
de noite veio um bêbado
andando no meio da rua escura e chuvosa
trombou numa árvore enfeitada de luzes de natal
ficou olhando aquela coisa iluminada
sentado na calçada com a garrafa em suas mãos
pensou que tivesse em outro país
começou a cantar em inglês uma velha canção
viu neve onde havia chuva fina
um cão perdido de rua era sua rena
adormeceu sorrindo
e de manhã já era natal
(republicado)
domingo, dezembro 13, 2009
quando a escuridão
e você está no meio do mar em um pequeno bote
vê uma mancha preta maior que a escuridão
pensa que não haverá mais jeito
desta vez não tem saída
então olha para cima e não vê estrelas
olha para baixo as águas são geladas e negras
você ali no pequeno bote
no meio daquele oceano imenso e gelado
sem tempo sem brisa sem cor sem som
e aparecem uns olhos esverdeados
que brilham e não são estrelas
são maiores que a escuridão e o frio
e você se agarra a eles a seu brilho
você acorda em sua cama e uns olhos verdes escuros
mais escuros que aquelas águas te olham
então você dorme e quase sonha e quase se aquece
e quase pensa que está salvo
(poema originariamente publicado no blog versos e perversos de luciano fraga )
domingo, dezembro 06, 2009
Mário Bortolotto
Hoje estou triste, muito triste. Bortolotto foi assaltado e levou três tiros, quando bebia com seus amigos, após a peça "Brutal" de sua autoria, no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, São Paulo. Tive a oportunidade de assistir a essa peça e conhecê-lo há pouco tempo pessoalmente. Acompanho seu trabalho e sou sua fã e foi com tristeza que soube dessa notícia. Já foi submetido a algumas cirurgias e seu estado é muito grave. Agora é só torcer muito. Por coincidência, tinha feito um poema pra ele, enviei por e-mail e ele publicou em seu blog dia 3/12.:
"E falando em rapaziada que vale a pena, a Adriana Godoy lá de BH (que sempre comenta aqui e que eu conheci pessoalmente há pouco tempo quando esteve por aqui assistindo "Brutal") escreveu um poema pra mim. Eu gostei. Fiquei lisonjeado, aliás. E gostei principalmente da parte dos anjos velando. Tô precisando disso. Ela escreveu assim:
Bortolotto, estava dando aula agora e o assunto era escrever um poema sobre alguém, tipo uma biografia. Então, enquanto os alunos estavm escrevendo, sem querer fiz isso sobre você. Não me leve a mal, mas saiu de um fôlego só. Sei que não tá legal, meio didático, não é muito meu jeito, mas resolvi te enviar assim mesmo. Beijo.
meu querido outsider
ele vem de coturnos com os cadarços desamarrados
a camisa grande com as mangas maiores que os braços
uma camiseta por baixo
um quase sorriso e um jeito tímido e forte
o dia é feito de ressacas e de um computador
quando calor demais liga o ventilador
e as ideias se espalham em textos únicos e mágicos
a noite chega e ele sai à caça de bebidas e de possíveis amigos
ou joga bilhar com homens e mulheres
e não duvida que pode ter brigas e pode brigar
mas agora prefere desativar bombas
e ficar mais leve um pouco
o rock e o blues estão em suas veias
como as palavras para um poeta
a voz rouca combina tão bem com o uísque que toma
e com a música que canta
que se tornam indissolúveis
escreve como quem enxerga os subterrâneos humanos
nos seus mais obscuros infernos
e deixa a solução na alma de cada um
encena e traduz a angústia de diversos personagens
mas traz em si as angústias da humanidade
encanta por ter um coração de menino
por gostar de lutas e de filmes b
de revista de mulher pelada
de comer coxinha de madrugada
de ver as séries na tevê
de ouvir mp3 num canto qualquer e ficar só
de conversar com os mendigos e perdidos da cidade
enquanto estudantes estão indo pra escola
ver o sol nascer pode lhe dizer
pra voltar pra sua quitinete
e tentar dormir o que a noite não deixou
então sonha, menino, tá tudo certo
no meio do caminho pode ter um bar
e mulheres e amigos que te esperam
os anjos te velem e digam amém
(Adriana Godoy)
Valeu, Adriana, que os anjos cuidem mesmo de todos nós. E que eles sejam mais bacanas que os fdp do "Supernatural", né? Mário Bortolotto"
segunda-feira, novembro 30, 2009
dessas noites em que estava lavando pratos
o detergente faz espuma na pia
os pratos ficando limpos no escorredor
os pensamentos sujos quero um cigarro
uma música um blues o céu escuro
meus gatos escondidos em silêncio
duas taças de vinho quase cheias
os pés no chão e pálidos
uma janela uma luz acesa do outro lado
as garrafas de vinho abertas e vazias
leio os rótulos e penso num poema
um inseto esquisito vindo de outro lugar
voa em torno das garrafas vai até a luz e volta
o tempo não tem pressa meus olhos o seguem
os pratos vão ficando limpos
as panelas ficam pra depois
pego uma taça e dou um gole
acompanho o blues num inglês ruim
o inseto se vai e bebo mais
olho a noite escura os pratos brancos
alguém me espera no sofá
estranho pensar no abandono de toda ambição
quarta-feira, novembro 25, 2009
hoje tem!!
quarta-feira, novembro 18, 2009
apelo
traz para mim os dias que não vivi
todas as noites perdidas
e o sorriso que não tenho mais
vai lá e busca o que me cure
sem que doa ou que arda
apenas que alivie
encontre o que deixei cair na estrada
os poemas esquecidos nas gavetas
e as músicas que não ouço mais
molhe os pés no mar
porque aqui só há montanhas
e jogue uma flor pra iemanjá
deixe seu cheiro espalhado
compre uma garrafa de champanhe
velas amarelas e incensos de baunilha
estou aqui do outro lado e juro
tem uma lua enorme no céu da cidade
segunda-feira, novembro 16, 2009
A noite de Heitor
segunda-feira, novembro 09, 2009
sexta-feira, outubro 30, 2009
sympaty for the devil
mais uma vez ouvi a música dos stones "sympaty for the devil" e sempre me surpreende a letra, o ritmo, a melodia. acho que foi no final da década de 60 ou início dos anos 70, não sei, que eles tocaram pela primeira vez.
de certa forma foram precisos na definição de lúcifer, hoje reencarnado na figura desses caras donos do mundo, nos assassinos ou no vizinho da frente.
andamos correndo de nós mesmos, andamos correndo do demônio que está mais em nós do que em outras pessoas, andamos nas ruas com o medo nos rondando e com medo de olhar nos olhos dos meninos ou de qualquer pessoa que nos mostre a diferença ou o espelho.
e isso a cada dia, a cada hora, a cada minuto.
lúcifer, simpático e garboso em sua sedução, em sua gentileza.
ele me estende a mão e sempre que posso a aperto com força.
quero o seu poder, a sua indiferença; quero o prazer, o deleite, a luxúria.
e ele vai me seduzindo e seduzindo tantos outros. vendo a minha alma. ele é o deus eterno presente em todos os tempos. poucos sabem reconhecê-lo verdadeiramente. poucos sabem o seu verdadeiro jogo. eu sei. e tenho prazer em conhecê-lo.
"pleased to meet you, hope you guessed my name"... Is just the nature of my game"...
quarta-feira, outubro 28, 2009
Tem poema meu!
Beijos.
sábado, outubro 24, 2009
atrás da árvore
aquela que subíamos quando crianças
você disse que nunca cresceria
e como peter pan na terra do nunca
nunca me deixava sem o seu pó mágico
voávamos sobre as cidades
entrávamos por todas as janelas
ríamos e chorávamos indivisíveis
eu era sua fada e você meu encantador
inventávamos o mundo
para que ficássemos juntos
as suas mãos me ensinaram
as melhores brincadeiras
juramos amor eterno
e gravamos dois nomes
em um coração amarelo
no galho mais alto e escondido
agora te vejo, amor
atrás da árvore
atrás do que fomos
atrás do que perdemos
quarta-feira, outubro 21, 2009
filhos na noite
irmãos na noite espalhados
na casa da velha mãe
hoje não é festa, não é aniversário
e surge a pergunta mortal
quem vai ficar com ela?
como se ela não pensasse
como se ela fosse a carga mais pesada
a mãe poderosa e infalível
mergulha nas suas sombras
nos seus medos e sofre
por que meus filhos estão aqui?
queria afagá-los e tirar deles todo sofrimento
queria carregá-los no colo
queria alimentá-los e enchê-los de alegria
os filhos como morcegos agitados
começam a se debater
quem vai ficar com ela, a mãe?
uns esbarram as asas frágeis nos outros
uns tentam perfurar o coração dos outros
uns se acham insubstituíveis, infalíveis
são líderes, poderosos, ou mais sábios
outros apenas ouvem calados o que se fala
e no fundo do corredor, em seu quarto,
a mãe adormece, preocupada com suas crias
o cansaço da vida faz doer o seu corpo
as suas pernas são quase inúteis
e no seu peito o coração metálico
marca os seus passos dia a dia
e nessa noite ela sonha
sonha com a família em volta da mesa
as conversas intermináveis,
os risos, as piadas, as brigas, a comilança
seus filhos não cresceram tanto
e o seu velho companheiro ainda esta lá
nessa noite, ela sonha
os morcegos, suas crias, levantam voo
cada um com a sua culpa, cada um com o seu pecado
imaginam que poderiam cantar uma canção
que embalasse o sono de sua mãe
essa mulher que tanto sugam, que tanto amam
que tanta admiração causa
que guarda tantos segredos
mas não sabem como
e choram
suas asas pesam
como se carregassem a humanidade inteira
como se já estivessem definitivamente
presos em suas cavernas mais escuras
(republicado)
domingo, outubro 18, 2009
cenas de parede

nas pálidas paredes
e mostrou seu ventre transparente
quando um inseto noturno
desses que voam
entrou e mexeu suas pobres asas
percebeu o olhar parado
frio e mortal daquele ser esbranquiçado
e se debateu loucamente
por uma única vez olhou a lua
e viu nos olhos da mórbida lagartixa
o mesmo brilho
foi devorado lentamente
inexoravelmente
sábado, outubro 17, 2009
quando vim ontem pela rua
sábado, outubro 10, 2009
na praça

PS: Tem poema meu no Balaio Porreta, aqui.
quinta-feira, outubro 08, 2009
tem poema meu de novo!
terça-feira, outubro 06, 2009
sem noção
quarta-feira, setembro 30, 2009
domingo, setembro 27, 2009
ora direis
Havia 25 milhões de estrelas aquela noite. Foi o que consegui contar. Apertava meus olhos com força para ver se não estava imaginando coisas. Mas não adiantava. Elas se mexiam. Na minha visão míope pareciam bailarinas ensandecidas. Era como me presenteassem com uma dança meio triste, meio azul. As estrelas falavam. O Bilac não saía de minha cabeça: " Ora direis ouvir estrelas, certo perdeste o senso"... E eu as ouvia sim, nitidamente, intimamente. E com medo de mim, fechei a janela. Mas pela fresta, ainda percebia um movimento silencioso daqueles olhos brilhantes, daqueles milhões de olhos brilhantes me olhando.
terça-feira, setembro 22, 2009
chamado
quando chega a noite e a lua entretanto
cordeiro manso e frio na cama
me pego então a contar estrelas
no céu da boca a língua saliva
febre insana no corpo que treme
na rua lobos me chamam
estou pronta para saltar os muros
e atravessar paredes
sexta-feira, setembro 18, 2009
sem assobio

tenho que te dizer hoje que a lua está lá, linda, imensa.
as palavras agitam a minha cabeça.
não se encontram.não são amigáveis.
uma garrafa com café já velho, um cigarro pra acender.
essa tela brilhante do computador, a minha lua.
nessa noite os gatos estão em silêncio.
um assobio calmo e afinado destoa-se do resto da cidade.
é esse assobio que me faz pensar.
o homem do assobio não sabe que olho para ele da minha janela.
não sabe a força de seu assobio.
não sabe que sua paz incomoda.
penso um jeito de parar com isso.
assim a música acabaria.
assim tudo ficaria igual.
sem assobio, sem nada.
quinta-feira, setembro 17, 2009
Constatação
quarta-feira, setembro 16, 2009
na segunda manhã
...e assim, perdivagando nesses pensamentos endemoniados acabei dormindo e o dia se esvaiu assim meio perdido aturdido no centro daquele ciclope daquele som de cabeças sendo cortadas pauleira desdentando bocas e esfacelando crânios e eu a pensar meu deus que poderá ainda vir meu deus meu deus por que tanta doideira numa só tacada será que você já está antecipando o fim eu penava e lembrava o inferno de signos de Pasolini se bem que era muito mais amador e cheio de humor do que esse: esse som( não música, som) ensurdecedor, é foda agüentar esta zuera,mano! E assim eu acabei caindo num sono meio azucrinado sonhando pesadelos acordado viajando nas ondas do inferno e vendo os diabinhos gargalhando lá no fundo do quadro. Perdivagava assim vagabundo na vagazona do entrevigília e sonho e de repente acordei...já não era mais quele dia tinha passado a noite e já era outro dia e já era a manhã do segundo dia... e eu abri a janela, desconfiado, descerrei a persiana devagar como quem não quer nada como caramujo saindo do caracol para se esbaldar na luz do sol e e não houv-ia mais aquela coisa aqueles baticuns aqueles tuntistuntunnnn malditos...ah, havia um solindo lá fora e ...nem entendi ou não acreditava: havia vivaldis sinfônicos voando no ar, eram a primavera o verão o outono e o inverno todos juntos em doces sons que se amalga-amavam nos ouvidos antes surdos- beethoveeeeeens vindos nas asas de abelhas que zumbiam nonas e quintas e maravilhas de Mozart navegando os ares que eram assim meio gelatinosos meio gosmentos de tanta música a pairar parar no ar eu até via eles lá os quatro cavaleiros empunhando rocks dos sessenta
e...ei, será que tomei alguma coisa ontem pra dormir e me ficou essa ressaca essa doideira me fazendo ver o que não é?
.mas não, o diabo não havia vencido e o inferno não era aqui, e agora...ainda havia espaços abertos e flores flores e florestas se abrindo...pensei nos lilazes e nas luzes nas margaridas brancas, sabe aquelas de árvore tipo os ipês aquele escândalo de beleza que até doem nos olhos pensei naqueles velhos interiores e nas pessoas gentes que nem sabem que existem essa música e essas noites e esses desvarios e esses vazios e esses vícios.. pensei nos passarinhos, sim nos passarinhos e no mato e no verde e...
e sei que o diabo não venceu a parada... muitos tamos noutra, ainda, e o mundo ainda tem redenção!














