segunda-feira, maio 30, 2005

último acalanto



a morte antes distante
conversa comigo como uma velha tia
me conforta nas noites de frio
como se fosse chama no calor
me faz arder suar
transforma o meu dia
incendeia as ruas em que passo

mesmo o sol forte
encobre-lhe a fria neblina
em diferentes sussurros
delírios, sonhos, poesia
entremeia-lhes sempre a morte

titubeio em cada palavra
com medo de que ela goste
e notando que não foge
chamo por seu nome

quando por um instante ela adormece
respiro livre mas a acordo
e a faço levantar
e lhe dou a foice

como se fosse a única companheira
como se fosse meu último acalanto

(poema antigo)

Voz

Ecoa em mim
a voz do meu coração
estranha voz
aguda e rouca
úmida e serena
voz de sonhar e gritar
todas as palavras
tudo que esteve contido
nas cavernas mais distantes
e silenciosas de mim.